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O Interno Feminino

Divagações e reflexões do mundo no feminino. Não recomendado a menores de idade ou a pessoas susceptíveis.

Como espantar a caça

Avatar do autor TNT, 04.05.10

Com certeza que todas as leitoras já se depararam com um ‘melga’. Os melgas são aqueles que não nos largam a braguilha, mesmo depois de não lhes atendermos o telefone pela 90ª vez, ignorarmos todos os convites, fazermos de conta que temos visão raio X como se fossem transparentes, dizermos que temos o gelado ao lume ou um urso polar no quintal que nos está a atacar a tartaruga, coitadinha.

Há tipos que não percebem as indirectas e nem sequer as directas. Insistem como se não houvesse amanhã, deixando-nos à beira de um ataque de nervos.

Porém, existe uma solução. Se há coisa que os homens não suportam são conversas sobre problemas femininos. Estas incluem menstruações dolorosas, marcas de pensos higiénicos e tampões, caroços no peito, quistos nos ovários, a sensação desagradável da introdução do espéculo nas idas ao ginecologista, candidíases, pêlos púbicos encravados, retenção de líquidos e afins.

Mesmo que não tenhamos nada destas coisas, funciona que nem ginjas. “Ah e tal, hoje não posso ir ao cinema. Estou cheia de dores do período e ainda por cima não encontrei no supermercado os tampões que costumo usar. Ainda por cima, descobri aqui um caroço no peito e tenho de ir rapidamente ao ginecologista. Estou mesmo incomodada e é melhor ficar para outro dia…”. Eles desligam o telefone apressadamente, vão tomar uma água das pedras e rezar para que a semana passe sem pormenores gráficos a assolarem-lhes o espírito. Naqueles cérebros aparece imediatamente o sinal de proibido associado ao nosso nome e, com sorte, o alvo só torna a ligar no dia do nosso aniversário ou em época natalícia, apenas por uma questão de cortesia.

É que eles adoram andar a passear-se por estas zonas, mas detestam saber o que custa a manutenção do equipamento!

O drama da casa de banho (ou quarto de banho para quem for do Norte)

Avatar do autor TNT, 11.04.10

Se há coisa que me encanita é como é que os casamentos ‘do antigamente’ subsistiam e duravam, apenas uma casa de banho no lar doce lar.

Uma pessoa pode até partilhar a cama, o sofá, e, quem sabe,  o armário – acho pouco prático, mas enfim -, mas a casa de banho não me parece coisa para se partilhar. O mulherio tem sempre uma data de coisas que PRECISA de ter no aconchego daquelas paredes de azulejo. Os cremes para a cara – leia-se três ou quatro diferentes para o dia e para a noite – os cremes para o corpo, para os pés, para os cotovelos, para as mãos, para as cutículas, o óleo de amêndoas doces para as unhas, os vernizes, a maquilhagem, o champô, o creme amaciador, a máscara, as escovas, o pente, o secador, os tampões, as toalhitas, os discos de algodão, o desmaquilhante...

Como é que pode sobrar espaço para a espuma de barbear e o lote de revistas com que os gajos sempre se fazem acompanhar em momentos de grande reflexão como a ida à retrete? Não é praticável! Já para não falar daqueles tipos que precisam do seu momento matinal no trono durante cerca de 1h10, quando toda a gente sabe que problemas de obstipação são quase exclusivamente femininos! Por que carga de água é que os gajos ficam lá tanto tempo? Para não nos aturarem? Eh pá, o raio que os parta, vão para o café do Sr. Amândio e ponham as leituras em dia!

A fórmula para um casamento sofrível é ter duas casas de banho. Pode até ter-se um T0, mas não me lixem... com duas casas de banho!

Amor no centro comercial

Avatar do autor TNT, 11.02.10

A propósito desta cegada do Dia dos Namorados, o Cão Azul decidiu lançar uma colecção de T-shirts alusivas ao tema. A que mais me encanitou foi uma que diz “Amor é... ir às compras com ela e não ficar à porta das lojas”.

Não posso discordar mais desta máxima!

 

Se há coisa que me irrita solenemente é esbarrar constantemente com os namorados das meninas entre os charriots com ar de cachorrinhos abandonados sem saber o que fazer e sempre mal posicionados a empatar a circulação – sim, porque tudo isto tem uma técnica – e a carregar os sacos que elas já encheram nas outras lojas onde eles já fizeram figura idêntica.

Noutro dia, por causa de um presente específico, percorri algumas trezentas lojas de roupa interior. Andava em busca de uma coisa que nem eu sabia que existia e por isso tive de perscrutar várias lojas numa missão quase impossível. Como se não bastasse o meu desespero inicial, ainda tinha de esbarrar com os rapazinhos que tinham o ar mais constrangido deste mundo enquanto elas perguntavam “então o que achas deste?”. Eles, com ar de boi para palácio e berrando silenciosamente “TIREM-ME DAQUI!!!”, esboçavam um sorriso amarelo semelhante ao esgar que sempre antecede uma cólica renal ou uma valente diarreia.

O resto do mulherio olhava para eles num misto de “o que é que este tarado está aqui a fazer a babar para cima dos soutiens...?” ou “já saías daí para eu poder passar, ó boçal do caraças!”. E eles, “desculpe aqui, perdão acolá” a saber que estão a pagar alguns pecados cometidos e outros por cometer.

Meninas, os senhores dos centros comerciais já fazem umas áreas à porta das principais lojas com uns sofazitos e umas mesitas especialmente a pensar nos pobres dos moçoilos que são arrastados para estas lides das compras. Deixem-nos lá sentados.

A sério. Eles preferem… e o resto das mulheres também.
 

Balanços e Decisões

Avatar do autor TNT, 02.01.10

Todos nós fazemos balanços das nossas vidas nestas alturas do ano. Olhamos para trás e arrependemo-nos do que fizemos e, principalmente, do que não fizemos. Olhamos para o presente e, para além de sentirmos a ressaca consequente do espumante marado da noite anterior, propomo-nos a objectivos mais ou menos concretizáveis.

Desejamos o Euromilhões, aumento de salário, coberturas em Manhattan e outras coisas que não dependem directamente de nós. Apenas porque são mais fáceis de pedir e não temos de nos esforçar para que a coisa aconteça. Um bocado como aquela história do tipo que se está a afogar e com a sua fé em deus recusa todos os recursos marítimos e aéreos para o salvar, uma vez que acredita que o criador há-de tratar do assunto. Acaba por se afogar e quando chega à presença de deus pergunta-lhe porque é que ele não o salvou. Deus responde: Estás parvo? Até helicópteros te mandei!

Proponho que façamos um exercício sincero no que respeita às nossas relações. Será que temos a relação que queremos? Será que podemos fazer algo para a melhorar? Será que realmente fazemos aquilo que está ao nosso alcance para atingirmos o que queremos?

Muitas vezes, deixamos que o orgulho, a preguiça, a rotina ou as pressões sociais/familiares nos prendam a algo que não queremos. Autorizamos a que dominem e controlem a nossa vida. E habituamo-nos... até ao dia! Até ao dia em que percebemos que não se aguenta mais viver assim.

Vamos lá pensar... Somos mesmo felizes? O que é que queremos verdadeiramente? E, acima de tudo, o que podemos fazer para sermos felizes?
 

A importância do pré-aviso

Avatar do autor tsetse, 09.11.09

Quando uma relação parece já não ter recuperação e já estamos fartos de lutar e só apetece ir noutra direcção qualquer mais simples e simpática, a maior tentação é acabar da forma rápida e, tanto quanto possível, indolor. Dizer algo que nos permita fugir rapidamente, como "não és tu, sou eu", "gosto muito de ti, mas não aguento a pressão" ou "esta relação não nos está a fazer bem e eu não aguento", e tentar escapar a todas e quaisquer perguntas que impliquem conversas chatas.

 

Acontece que, para além de haver a hipótese do outro não compreender a verdadeira razão do fim e, por isso, ter maior dificuldade em ultrapassar, não se podem esquecer que aquela pessoa já vos foi especial. Abriu-vos a alma e, à sua maneira, dedicou-vos tempo, carinho e atenção. Por muito enfadonho e imbecil que vos pareça naquele momento, merece uma segunda oportunidade.

 

Sejam sinceros. Digam de forma inequívoca que não se sentem bem na relação e porquê. Expliquem tudo o que vai na alma: como certos factores são essenciais para a continuação ou não da relação. Depois, tentem chegar à derradeira estratégia.

 

Podem optar pela estratégia da lista, em que cada um escreve tudo o que está mal e espera ver resolvido; por um contrato, onde a outra pessoa promete nunca mais fazer uma determinada coisa, quando o problema é fácil de identificar; ou por outra qualquer estratégia mais inteligente. (Aliás, aceitam-se sugestões). O mais importante é que o outro tenha um pré-aviso do fim e a hipótese de se redimir.

 

A verdade é que a maior parte das vezes nada disto funciona e normalmente por uma das seguintes razões:

- A outra pessoa está confortável naquela relação que nos parece um inferno, porque esta foi feita à sua imagem e medida, e por isso não está interessada em ceder um milímetro;

- A outra pessoa não reage bem ao fracasso e, ao perceber que o outro já não está assim tão interessado na vida a dois, em vez de lutar, fica deprimida ou amuada e à espera de receber a atenção que deveria estar a dar;

- A outra pessoa não quer estar a ter trabalho por uma relação que nem valoriza assim tanto;

- A outra pessoa já está viciada num certo comportamento e não o consegue largar;

- O casalinho não tem nada em comum; etc.

 

Mas, mesmo sabendo que a hipótese de sucesso é mínima, o importante é sermos justos, dando uma segunda oportunidade. E isto aplica-se a todo o tipo de relações intensas e duradouras: amorosas, de amizade ou profissionais.

Requintes de malvadez masculina

Avatar do autor tsetse, 20.10.09

Ontem estava a ouvir algumas histórias sobre homens que planeiam ao mais pequeno pormenor vinganças, quando são trocados ou abandonados ou até quando são simplesmente criticados em público. Todas tinham quatro coisas em comum: requintes de malvadez, planeamento cuidado, dispêndio de muita energia nas acções e um protagonista masculino.

 

Não estou a dizer que não haja mulheres que se vinguem ou que embirrem com alguém até à exaustão. Não retiram é o mesmo prazer com o sofrimentos dos outros, são mais impulsivas e sinceras (vai, quase sempre, tudo à frente logo ali, quando as irritam) e não colocam tanta dedicação e requinte no cálculo da vingança. E eu até valorizo a dedicação e o requinte. Só não os aceito quando aplicados à maldade, em lugar de outras coisas mais produtivas, e muito menos quando estamos a falar de vinganças desnecessárias.

 

Alguém não querer passar o resto da vida convosco, não implica que vos queira prejudicar. Simplesmente, para o seu gosto, não são o que mais lhe convém. Se não vão lutar por mudar isso, então aceitem e sigam em frente. Por uma mulher vos trair, não têm que a humilhar. Decidam se querem melhorar a relação e diminuir a probabilidade de o mesmo voltar a acontecer ou se consideram o acto imperdoável e, portanto, querem terminar a relação. Se ela vos contrariou de outra forma qualquer ou vos humilhou em frente a alguém e acham isso condenável, expliquem-lhe o facto. Não precisam de despender tanta energia numa vingança maquiavélica, quando uma explicaçãozinha de cinco minutos tem um melhor efeito.

 

O que mais me faz confusão é o prazer que dá a estes homens fazer sofrer o outro. Como se isso fosse, de alguma forma, compensar o seu próprio sofrimento. No caminho, não aprendem nada com os erros que cometeram e que provocaram a tal situação e, por isso, vão continuar a cometê-los, e não usam a energia em algo muito mais importante: melhorar a sua vida para que os problemas diminuam ou, pelo menos, diminuam de importância.

 

Esse prazer que sentem na preparação da vingança é agridoce e só atrasa a vossa evolução. Para além de que não abona nada a vosso favor nem a favor do vosso futuro, que pode depender da pessoa em questão ou de alguém que lhe é próximo. E, como diz a nossa amiga TNT: "Portugal é uma varandinha".

O luto das relações

Avatar do autor TNT, 06.10.09

Creio que este é um assunto que nos toca a todos. Que já tocou ou que ainda nos vai tocar. O luto da relação.

Quando uma relação morre deve fazer-se um luto não inferior a dois anos. Dois anos sem se saber daquela pessoa, sem se contactar com os amigos ou família daquela pessoa, sem se ir aos locais que a pessoa frequentava. Se assim não for, o peso da morte, do falhanço e do sofrimento estará sempre a ser renovado e novos pesos se acumulam.

Por vezes, a coisa torna-se difícil. Ou porque nos apegamos muito à envolvente dos defuntos, ou porque os defuntos até são figuras públicas, ou até por ser o vizinho do lado e dificilmente conseguimos evitar ouvir o corrupio de gajedo a entrar e sair do 3º esquerdo.

Há uns bons anos atrás morreu uma relação que tive com uma figura pública. Temos de convir que não é fácil esquecer alguém se ligamos a tv e está lá, folheamos uma revista ou jornal e está lá, se ligamos o rádio e pimba... lá está! Não tive outra hipótese senão emigrar. A figura era pública, mas não era o Obama por isso não corria o risco de ser conhecido em terras do Tio Sam. Muitos dirão que foi uma medida radical ou exagerada... Olhando para trás – e realmente já lá vão muitos anos – continuo a achar que foi o melhor que fiz.

Se os defuntos são vizinhos do lado, mudem de casa! Se gostam dos amigos deles, azarito, arranjem outros mais divertidos e que acima de tudo não conheçam a personagem de lado nenhum. Locais para sair? Há muitos, aos montes, embora não pareça.

O pior é quando nós conseguimos fazer estas mudanças radicais de vida e o outro lado insiste em ligar aos nossos amigos, familiares, fazerem-se ‘amigos’ nas redes sociais, insistir em ir aos sítios que já eram nossos. A coisa fica mais difícil, mas não impossível. A treta é que temos de trabalhar a dobrar, já que os inúteis não cumprem a sua parte. Mas quantas vezes não fazemos isto no nosso emprego? E nem ganhamos mais por causa disso! Aqui só temos a ganhar. Paz de espírito, acima de tudo...

A morte de uma relação é a morte de um bocado da nossa vida. Tem de ser devidamente enterrada para que quando se pense nela se consiga fazê-lo com um sorriso e não com um esgar de amargura.
 

Os muros da vergonha

Avatar do autor TNT, 23.09.09

A vergonha é algo que nos acompanha desde pequenos. Temos sempre algo que nos envergonhe, seja de nós próprios, seja de outros. É uma grande chatice quando a vergonha se torna um factor inibidor, tanto em termos sociais, profissionais ou familiares. Começa-se a evitar as saídas em grupo, as reuniões familiares ou qualquer encontro com os demais. Inventam-se desculpas convencendo-nos que nada daquilo importa, até porque gostamos demasiado da pessoa que está connosco.

Mas a verdade é que, mesmo com muito amor, é possível sentir vergonha…

Tenho uma amiga que até percebe umas coisas de música, é dada a leituras sobre o assunto e até estudou durante uns anos esta arte. Eis senão quando, arranja um namorado que adorava, mas… hélas! O que o rapaz gostava mesmo era de Robbie Williams, Michael Jackson e musiquinha de feira de uma forma geral! Pronto, deixa-o lá estar a gostar dessas coisas desde que não a obrigasse a levar com aquilo. Porém, quando havia algum jantar com amigos, e o assunto musical ia para a mesa, ela começava a tremer de medo que ele se saísse com as habituais pérolas. Tentava sempre brincar com a situação, mas ficava envergonhada… roxa de vergonha!

E como esta, conheço trezentas histórias… Da namorada do escritor que gostava de Paulo Coelho e não se absteve de o dizer numa tertúlia literária, de uma que era extrema esquerda e chamava fascistas a todos quantos gostassem de luxos imperialistas como jantar fora, da namorada do músico que ficava com pele de galinha com o Tony Carreira e Olavo Bilac, com a mulher do gestor que não sabia o que era um e-mail, do namorado que na altura da conta esquecia-se sempre convenientemente da carteira, do tipo que tinha um Porsche branco que gostava de mostrar à porta dos bares… enfim, histórias não faltam!

Os momentos de vergonha são inesquecíveis! Inesquecíveis de maus…

E será que estas pequenas vergonhas passam como se nada fosse ou fica lá sempre qualquer coisa a corroer e nas horas da verdade vêm ao de cima como os ‘balhotos’ no mar?
 

O cúmulo da parvoíce

Avatar do autor tsetse, 07.09.09

Se há histórias que me deixam pasma são aquelas que metem homens egoístas e (tinha que haver um "e" ou estaria quase sempre pasma) mulheres que aceitam as parvoíces mais estúpidas que eles inventam para manter as suas regalias. Dentro deste género (infelizmente comum) de histórias, ouvi três bastantes parecidas, que podem formar um subgrupo: homens que decidem viver com a companheira em casa da sua ternurenta e solícita mamã.


Não estou a falar de casos de pessoas desempregadas, sem madeira para construir uma barraca, mas de pessoas com um emprego estável e um bom ordenado. E, se eu já acho que um desempregado que não saiba usar um machado para obter madeira suficiente para um "amor e uma cabana" não é um macho desenrascado, nem sei que nome dar a um tipo que ganha bem e que, para não perder o privilégio de viver numa boa casa, com a comidinha feita pela querida mãe, roupa lavada e passada, mais a linda companheira a completar o quadro, para poder ter sexo acompanhado quando quiser, sem ter que cometer incesto.
 
Que para eles é muito confortável, acredito, embora não compreenda. Eu teria vergonha, mas cada um sabe de si. Mas o que é mais difícil de adivinhar é o que se passa na cabeça das suas companheiras, para aceitar tal acordo. Dos três casos que ouvi, apenas conhecia duas das intervenientes e posso assegurar que eram trabalhadoras, simpáticas, amorosas e, coincidência ou não, com uma grande ingenuidade e uma terrível auto-estima. E, só por causa destas características, posso ver a luz sobre a cegueira das mesmas.

 

Mas como é que se pode achar normal começar uma vida a dois num lar gerido por outros, quando não têm necessidade de o fazer? Como é que uma mulher pode dizer ao seu companheiro que ele tem de a ajudar a fazer o jantar, quando a mãe deixou um bacalhauzinho à Brás no congelador, para o caso de o menino ter fome? E como é que ele pode ser tão egoísta ao ponto de querer manter o seu conforto, na sua casa de sempre, mas que a mulher saia do conforto dela, só pelo privilégio da sua companhia, mesmo que para isso tenha que se sentir uma pessoa "de fora" no seu próprio lar? Só pode ser um louco egocêntrico, egoísta, sem o mínimo bom senso ou consideração pelos outros.


Às meninas que alinham, só posso dar um conselho: se eles, com um bom ordenado, não querem sair da casa dos papás, então não interessam a ninguém. Se o vosso problema é auto-estima, melhorem-na e depois escolham alguém com mais carácter. E boa sorte. Bem precisam.

Ter ou não ter prazer?

Avatar do autor tsetse, 31.08.09

Enquanto é passada aos homens (pelos amigos, familiares, media e sociedade em geral), desde muito cedo, a ideia de que o sexo é algo que dá prazer e que eles devem desejar ter, às mulheres é passada uma mensagem ligeiramente diferente.

 

Desde a adolescência que ouvimos comentários poucos simpáticos sobre as meninas mais libertinas, conselhos sobre como devemos guardar a virgindade ou que a intimidade sexual tem que ser um presente dado só a pessoas extremamente especiais na nossa vida, mais a educação católica, para quem a teve, que nos ensina que só podemos ter sexo para procriar com o nosso marido e que ter sexo só por prazer, usando contraceptivos, é um pecado.

 

As mulheres recebem uma série de mensagens directas e subliminares não para valorizarem o prazer, mas sim para usarem o sexo como um meio para atingir um fim, seja ele um filho, uma relação estável, um estatuto, admiração, carinho, entrada no paraíso, entrada na empresa de sonho, ou outro qualquer. Não é de admirar que o sexo deixe, para muitas delas, de ser uma fonte de prazer, equilíbrio e intimidade, mesmo quando estão na tal relação que a sociedade aprova, e passe a ser um frete, com ou sem teatro, conforme o objectivo.

 

As que têm o azar ou falta de jeito e acabam por ficar com um homem interessado só no seu próprio prazer, ainda ficam com mais dificuldades para descobrirem que o sexo pode ser mais do que esse frete. E, segundo o que tenho ouvido, mesmo os menos egoístas esforçam-se pouco em descobrir o que elas gostam ou em pesquisar o que podem vir a gostar. Eles definem e tratam de esclarecer os seus prazeres e esperam que elas façam o mesmo. O problema é que elas, às vezes, nem têm conhecimentos sobre o assunto ou sentem-se como umas pecadoras ou fúteis por perder tempo a tentar encontrar um santo graal, que o mais provável é nem existir

 

De quem é a culpa? Eu acho que é de todos: da sociedade, da religião e da falta de bom senso da maioria da população, principalmente da masculina. Depois, lá aparecem os terapeutas sexuais, para dizer o que vocês já deveriam saber, e lá se cria uma nova ciência e uma nova forma de gastar dinheiro à volta do que deveria ser senso comum.