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O Interno Feminino

Divagações e reflexões do mundo no feminino. Não recomendado a menores de idade ou a pessoas susceptíveis.

A cultura dos afectos

Avatar do autor TNT, 13.04.09

Esta coisa de lidar com as emoções não é para todos. Há pessoas que não têm a ‘cultura dos afectos’ como eu lhe chamo.

Não identificam o que sentem e muito menos conseguem exprimir o que se passa. Ora esta conversa surge, porque amiúde me dizem que os homens não conseguem falar de sentimentos e afins. E não tem que ver com a ausência de sentimentos. Apenas com o facto de não saber lidar com eles. E a coisa não é exclusiva dos homens. Há muitas mulheres que se debatem com a questão de perder o controlo por causa das emoções.

Uma pessoa que não lida bem com estas coisas deve procurar alguém que saiba. Assim, a situação fica mais equilibrada, desde que haja honestidade à partida. Deve pôr-se as cartas na mesa para que a outra pessoa – a Emotiva – esteja alerta para a Rocha que tem ali ao lado. Porque as Emotivas, para além de sentir como as Rochas, fazem questão de o mostrar permanentemente. Dão as mãos, dão beijinhos, dizem que amam, dizem que não podem viver sem, aparecem com flores, preparam o pequeno-almoço, em suma, são umas queridas. As Rochas adoram ser mimadas, mas raramente sabem retribuir convenientemente, na opinião das Emotivas. As Rochas tendem a perceber os seus disparates um pouco mais tarde que as Emotivas. Quando se apercebem, compram um presente ou arranjam um jantar especial. É a forma de pedirem desculpas.

Duas Rochas juntas... é complicado! Arranjam uma casa enorme, um duplex, uma moradia. Impessoal. Cheia de coisas boas, mas que não são devidamente apreciadas. Não raramente, acabam por arranjar umas crias para dar alma às construções. E as crias crescem sem alma. Excelentes alunas, mas sem alma.

Duas Emotivas... salve-se quem puder! Passam dos beijinhos à berraria num ápice. Têm um lar e falta-lhes tudo o resto. O desconforto criado por tanta emoção é muitas vezes insuportável. Também têm crias para continuarem a dar afectos desmedidos. E as crias acabam por ser um poço de emoções. Falta-lhe eficácia. São almas sem corpo.

Uma Rocha com uma Emotiva é a conjugação perfeita. Não se anda sempre aos beijinhos e lamúrias. Constroem-se coisas. Uma arranja a casa e a outra arranja o lar. Uma arranja os problemas, a outra arranja as soluções. Filhos? Não precisam! Têm porque decidiram ter. Não para colmatar as falhas da relação.

É o equilíbrio que todos deveríamos ter, mas nem todos admitem as suas limitações.
A admissão das próprias falhas é o princípio de uma grande relação. Apontar as falhas dos outros é o princípio do fim...
 

TNT

2 comentários

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    TNT 18.04.2009

    Desde que a coisa se equilibre...
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