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O Interno Feminino

Divagações e reflexões do mundo no feminino. Não recomendado a menores de idade ou a pessoas susceptíveis.

Adiando a vida

Avatar do autor tsetse, 09.03.09

Às vezes, tenho a sensação de que a maior parte das pessoas vivem na esperança de serem felizes no futuro. Fazem enormes sacrifícios em prol do futuro, deles ou dos que amam, por uma felicidade que, na realidade, não sabem se vão alcançar. Deixam de conviver com os amigos e companheiros, para poderem trabalhar mais e ficarem ricos; deixam de seguir os sonhos, para acompanhar os filhos ou outros familiares; passam todas as horas livres a estudar, na esperança de aprender tudo; aceitam as maiores privações, para garantirem um companheiro na velhice; etc.

Mas a verdade é que este tipo de sacrifício extremo raramente funciona como esperado. Basta ler algumas notícias e falar com pessoas mais velhas para ouvir várias histórias de mulheres que passaram por grandes privações, anos a fio, apoiando o marido, para, no fim e se ele realmente alcançar o sucesso, serem trocadas por outra; de pessoas que descobrem que tudo o que estudaram na universidade está completamente desactualizado; etc.

Meus amigos, há uma altura certa para tudo e 24 horas dá para muita coisa. Não deixem passar a vossa juventude sem experimentar o amor nas suas várias formas e feitios (platónico, namoro curto, namoro longo, etc), sem espalhar alegria por todos os cantos, sem experimentar e sem conhecer o mundo; não deixem a idade adulta passar, como se estivessem em coma; não adiem tudo para a velhice, porque não sabem se vão lá chegar e, se chegarem, vão ter muito menos energia e paciência para realmente valorizar todas as pequenas coisas que vos fazem felizes. E esqueçam a ideia de pecado e de ter que sofrer para merecer o céu. O maior pecado que podemos cometer é não valorizar e usufruir do corpo e do mundo que nos foi dado. Tratem bem o planeta, o vosso corpo e o próximo, não tenham medo de ser felizes e o resto será com certeza perdoado por quem realmente interessa.

Já agora, para todas as mulheres que vêem a sua vida prejudicada por causa das horas a mais que o marido trabalha, tenho a dizer que, se ele não consegue fazer bem o seu trabalho em oito horas diárias, exceptuando urgências esporádicas (que, por isso mesmo, não podem durar muitos meses nem serem muito frequentes), só podemos estar perante um dos seguintes cenários: ele não está as oito horas concentrado; ele prefere estar a trabalhar do que estar na vossa companhia; ele tem uma amante. Se ele vos disser o contrário, proponham que ele passe a retirar horas de sono (e começar os dias de trabalho às 7h da manhã, por exemplo), de almoços com os colegas ou de outro qualquer prazer que não vos inclua, em vez de suprimir os vossos momentos de qualidade ou de deixar de ajudar em casa. Quero ver se eles, de repente, não passam a ser muito mais eficientes nas horas de trabalho. Até fazem um favor à economia mundial!

Disclaimer: eu sei que há excepções e que há homens fantásticos; eu sei que os médicos estagiários têm que cumprir horários exigentes, etc. Falo da generalidade e não das excepções e a verdade é que ainda vemos mais mulheres a serem prejudicadas em prol dos outros, do que o contrário.

 

Tsetse

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