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O Interno Feminino

Divagações e reflexões do mundo no feminino. Não recomendado a menores de idade ou a pessoas susceptíveis.

Até que a desintoxicação nos separe

Avatar do autor tsetse, 17.02.09

Noutro dia um amigo falava-me sobre uma teoria que tinha desenvolvido sobre as relações entre pessoas serem semelhantes às relações das pessoas com a droga: no início dá um grande prazer, provavelmente devido à produção de substancias químicas no nosso organismo, depois só ficamos porque não aguentamos a privação da relação. Ou seja, ficamos porque estamos viciados e não temos força de vontade para sofrer com a ausência do outro. Eu não concordei, pois conheço várias pessoas, de ambos os sexos, com relações duradouras e que ainda falam do seu parceiro com  entusiasmo e orgulho e que parecem continuar radiantes com a sua escolha.

No entanto, ele não deixa de ter razão numa coisa: há realmente muitos casais que, embora continuem juntos, não parecem muito entusiasmados com o facto e a teoria do vício e do medo de o ultrapassar pode ser, aqui, muito bem aplicada. No entanto, ele errou no essencial: extrapolou a sua experiência para toda a humanidade, ignorando factores intelectuais e civilizacionais, que ultrapassam a simples química. Quem tem esse comportamento pode realmente ser comparado com um agarrado: com fraqueza de carácter, falta de interesse pelos sentimentos de quem o rodeia e sem capacidade para desfrutar da vida em toda a sua plenitude. Mas há quem consiga ser superior a isso.

E este texto teria acabado aqui, se eu ontem não tivesse adormecido a pensar neste tema. O meu subconsciente pregou-me uma partida (ou tentou dar-me uma lição, como preferirem). Sonhei que descobria que uma amiga (que tinha escolhido mentalmente como representante de uma relação feliz, antes de adormecer) estava a ter um caso com o meu amigo que mais me enternece quando fala da mulher, com quem é casado há catorze anos. Na realidade, eles nem se conhecem, nem moram na mesma cidade. Mas o meu sonho juntou-os, para lembrar-me que as aparências iludem e que a experiência já me devia ter ensinado a ser menos romântica.

E vocês, em que acreditam? São todos os casais uma cambada de fracos entorpecidos? Ou só o são os mais azarados ou com menos jeito para escolher o derradeiro parceiro?

 

Tsetse

4 comentários

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    Ana 20.02.2009

    difícil essa não?
    mas eu penso que somos produto desta somatória de coisas que você apontou.
    mas somos assim em todas as relações, com amigos, com a família, no trabalho...
    agora, acho que casais que permanecem juntos estão mais dispostos a compartilhar a vida, do que suportar uma situação.
    claro que os enganos podem e devem ser sanados, mas numa relação, vamos muitas vezes para o deserto morremos muitas vezes, e cada vez que fazemos isso e ainda assim renovamos nosso amor, mais fortalecido ele fica, podemos nos sentir viciados, mas pode também ser como o ato de respirar o ar a cada segundo...
    não podemos chamar de vicio, ou de coisa ruim ter uma necessidade e satisfaze-la...(?)
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    Miguel 20.02.2009

    Ana, não me referi às relações que se mantêm por estar tudo bem entre o casal (amor, amizade, cumplicidade, felicidade...). Apenas respondi ao post, que pergunta sob as relações que, na opinião da autora, parece que deviam ter acabado mas não acabaram por fraqueza dos intervenientes.
    Não falei delas mas desde já estipulo, por conhecimento pessoal e directo, que existem.
  • Sem imagem de perfil

    Ana 20.02.2009

    Entendi Miguel, eu considerei a impressão da autora e seu comentário.
    Esta é uma das leituras possíveis de fazermos sobre os casais...
    Eu acho que "estar tudo bem entre os casais", ou dentro de qualquer relacionamento implica conviver, destilar as emoções... e saber que teremos de tudo... não só as coisas da fase do encantamento.
    Concordamos, apenas acrescentei uma dimensão, uma perspectiva.
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