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O Interno Feminino

Divagações e reflexões do mundo no feminino. Não recomendado a menores de idade ou a pessoas susceptíveis.

Acessórios humanos

Avatar do autor tsetse, 21.12.08

Quando era adolescente, ouvi uma conversa de um adulto que me abriu os olhos para a verdadeira essência masculina. Eu tinha grande consideração pelo senhor, que era extremamente simpático, inteligente, educado e bondoso e tinha uma enorme paciência para tomar conta da filha, que tinha uma doença gravíssima. Ele era, para mim, um exemplo de virtude e carácter. Mas a conversa foi a seguinte: "Estava eu numa festa, quando a minha mulher se ausentou, para ir cumprimentar alguém, e eu fiquei a conversar com a Xpto." Ora a Xpto era uma senhora solteira e simpática, mas pouco elegante e que não tinha muito cuidado com o seu aspecto. Não era asquerosa, era simplesmente gordinha e simples. E ele continuou: "Quando eu estava a falar com ela, chegaram dois colegas da faculdade, que eu não via há anos. Cumprimentaram-nos, falaram um pouco e eu não consegui dizer que aquela não era a minha mulher. É que é preciso ter azar... Logo eu, que tenho uma mulher tão bonita e com tanta classe..."

 

Ou seja, o facto da Xpto ter sido simpática não contava, (e posso dizer que a Xpto tinha um ar muito mais simpático que a trombuda da mulher dele), mas sim que ele não estaria bem na vida aos olhos dos amigos, por não ter uma mulher arranjada ao lado.

A partir daí, comecei a reparar que vários homens tinham um comportamento parecido: se estavam com uma namorada bonita, fartavam-se de a apresentar, mas, se ela estivesse com pior aspecto ou eles estivessem com uma namorada menos bonita, já não faziam tanta questão de a apregoar como namorada. Até reparei noutra particularidade, em alguns homens: se estão ao pé de uma mulher bonita quando um conhecido passa, não se mexem. Mas, se estão ao pé de um trambolho, dão uns passitos para o lado, não vá o diabo tecê-las e os conhecidos acharem que esse trambolho é a namorada deles.

E foi aí que se fez luz. Como nós usamos uma mala bonita ou um colar para nos valorizar, eles usam as mulheres como acessórios humanos. Na cabeça deles, ter uma mulher bonita ao lado dá status. E porquê? Deve ser porque quando vêem um amigo com uma mulher arranjada, pensam "eh lá, o António está bem na vida". Já as mulheres que eu conheço e que têm as características do senhor que apresentei no início, funcionam ao contrário. Se vêem uma amiga com um namorado lindo de morrer, não pensam se ela fica ou não bem ao lado dele, mas sim "eh lá, que tipo lindo". Depois, se ele for burro que nem uma porta ou completamente desinteressante, pensam "ainda não me tinha apercebido que ela era assim tão fútil".

Ou seja, os homens premeiam (com orgulho, simpatia e boa disposição) as mulheres, quando elas estão mais arranjadas e em melhor forma, mas depois tentam convencer-nos que as mulheres são umas fúteis, por perderem tanto tempo e dinheiro a melhorar o seu aspecto, como se, pelo menos subconscientemente, esses prémios não as incentivassem a fazê-lo. Depois, andam com acessórios humanos ao lado e já não acham fútil. Perverso, não?

 

Tsetse

6 comentários

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    tsetse 28.12.2008

    Tenho a honra de conhecer mulheres que estão muito acima das que tu conheces...

  • Sem imagem de perfil

    RKF 22.01.2009

    Tenho a honra de conhecer HOMENS que estão muito acima dos que tu conheces...

    E então, são todos bons ou todos maus?

    O teu problema e' que generalizas as coisas...

    Não posso falar muito nesse aspecto porque não te conheço, mas pelo que já deu para perceber (acompanho este blog quase desde o seu início, apesar de raramente comentar), tu pareces ter o perfil daquelas mulheres na casa dos 35 - 40 anos, inteligentes, com formação superior, independentes mas que tiveram o azar de nascer e viver numa época em que o machismo tinha níveis superiores aos de hoje, o que fez com que crescesses com a ideia que todos os homens são shit e que as mulheres estão num patamar superior por terem mais qualidades. Isto aliado ao facto de teres conhecido muitos homens da geração anterior à minha (tenho 27 anos) e de muitos deles ainda serem muito machistas, o que fez com que sofresses às mãos deles.

    O teu principal problema está aí: tu generalizas!

    E partes com essa ideia para todos os relacionamentos que tens.

    E dps claro está, como alguém já aqui disse, sentes-te atraída por pessoas erradas, pois se és realmente uma mulher inteligente, madura e independente, deverias ter uma maior capacidade para escolheres as tuas companhias.
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    tsetse 22.01.2009

    Caro RKF, em textos de opinião é normal falar-se da generalidade. Textos cheios de "mas claro que há excepções", "não quer dizer que sejam todos assim" e outras banalidades do género são, na minha opinião, um insulto à inteligência e à paciência dos leitores.

    Em relação à amostra usada para chegar a esta conclusão, esta não é constituída apenas por amigos meus, mas também por amigos de amigos, pessoas desconhecidas com blogs a falar do tema e colegas de trabalho.

    Recomendo, por exemplo, que leia este texto (de uma pessoa que não conheço pessoalmente):
    http://oarrumadinho.blogspot.com/2009/01/querias-no-querias.html

    Já agora, preferira que se cingisse a comentar o tema do post, em vez de tentar fazer uma análise à minha vida.

    De resto, é sempre bem vindo a comentar qualquer dos temas propostos, nem que seja só para dizer que é uma excepção. Mas preferia que argumentasse, pois são os comentários de qualidade e pertinentes que fazem deste um blog de sucesso.
  • Sem imagem de perfil

    RKF 22.01.2009

    quote:

    Caro RKF, em textos de opinião é normal falar-se da generalidade. Textos cheios de "mas claro que há excepções", "não quer dizer que sejam todos assim" e outras banalidades do género são, na minha opinião, um insulto à inteligência e à paciência dos leitores.

    resposta:

    Desculpa lá tsetse mas esse teu argumento deve ser para rir.

    Então imagina assim: uma pessoa escreve um artigo de opinião, dizendo as maiores baboseiras ao generalizá-lo, sem ter o mínimo de cuidado de referir que há excepções. Suponho então que para ti isso já não é um insulto à inteligência dos leitores.

    Queria ver qual seria a tua reacção a um artigo com o título de "A futilidade das mulheres", em que o seu autor generaliza-se o caso.

    De certo que serias a primeira a dizer que conheces muitas que não são assim.

    Sobra a amostra, será que não havia excepções? Se assim for, dás-te com as pessoas erradas, esses fantásticos homens que referes no teu post. E por consequência esses teus conhecidos tb se dão com as pessoas erradas.

    Li o post e digo-te que haverá de certo opiniões contrárias de outros homens. Tu o que fizeste foi apanhar este testemunho e generalizá-lo aqui.

    Relativamente à analise à tua vida, eu tive o cuidado de referir antes de dizer o que quer que fosse sobre a tua vida que estaria a supôr, visto n te conhecer.

    Agora deixa-me que te diga uma coisa em relação a esse ponto.

    N é preciso ser-se muito inteligente para traçar um perfil da tua pessoa, em função daquilo que escreves e o que dizes sobre ti.

    É perfeitamente natural catalogarmos assim as pessoas, no bom sentido claro, visto que certas características saltam logo à vista.

    Por outro lado, n te esqueças que tens um blog que é lido por milhares (esperemos que sim) de pessoas, e através dele dás a conhecer tb um pouco a tua pessoa.

    É que tu não estás propriamente a fazer aqui reviews de gadgets ou de carros, estás a abordar temas da condição humana, logo é natural que muitos desses artigos de opinião sejam um reflexo da tua personalidade.

    No entanto, se ficaste ofendida com o facto de falar de ti, então desde já as minhas desculpas e tens a minha palavra que não irei fazê-lo mais, cingindo-me apenas aos posts.
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    tsetse 22.01.2009

    Eu acho normal, por defeito, falar-se sobre a maioria. Se eu quiser falar sobre casos particulares, aí sim, tenho que indicar o facto.

    O título "A futilidade das mulheres" não me parece, de forma alguma, abusivo ou insultuoso. Eu já escrevi aqui um post de título "Sushi-girls ou as futilidades masculinas", onde, para além de colocar um título parecido, admitia que as mulheres também têm as suas futilidades. Se o título fosse "As mulheres são fúteis mas os homens não", aí seria uma mentira e não um caso de generalizar (como, aliás, já provei nesse e noutros posts sobre o tema).

    Em relação à amostra em estudo ser ou não constituída só por pessoas com esse comportamento: claro que não. Mas a maioria, sim. Como já disse, falei dessa maioria, ou seja, da generalidade.

    Em relação ao facto de eu ter utilizado o post citado para fazer aqui uma generalização, tenho a dizer duas coisas:
    1. este post foi escrito antes do tal post citado ter sido publicado;
    2. dei um exemplo de um homem que admite online ser assim e, por isso, fiz questão de usar a palavra "exemplo";
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