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O Interno Feminino

Divagações e reflexões do mundo no feminino. Não recomendado a menores de idade ou a pessoas susceptíveis.

Epidemia de bissexualidade

Avatar do autor tsetse, 12.12.08

Já estava eu habituada à ideia de que havia pessoas que só se sentiam atraídas por outras do mesmo sexo, que desde os 4 anos sabiam que eram diferentes, que era tudo uma questão biológica ou química, de que era tudo muito normal e que, como defensora do direito à diferença, devia aceitar o facto, quando, de repente, uma nova questão se põe.

Uma amiga de infância admite que, entre namorados, se apaixonou por uma mulher; uma conhecida, depois de viver dois anos com uma mulher e ter convencido toda a família a aceitá-la como lésbica, fica noiva de um homem; uma conhecida coloca no seu site pessoal, misturado com uma série de artigos escritos no âmbito do seu doutoramento, o texto sobre o orgulho de ser bissexual; um amigo escreve sobre o facto de se apaixonar por pessoas interessantes, independentemente do sexo; outro amigo admite também que até há uns anos andava com mulheres, mas que agora anda com homens, até ao dia que encontrar uma mulher que lhe interessasse; e, por fim, mais um conhecido admite que a mulher o traiu com outra mulher, embora continue a gostar de homens.

Se fosse só um caso, eu poderia acreditar estar perante um excepção. Mas parece que não. Passei trinta anos sem ouvir falar de um único caso de bissexualidade assumida, para, de repente, uma série de pessoas a acharem normal. A história que os gays nos contavam nos anos 90, de que jamais se sentiriam atraídos por mulheres, parece estar ultrapassada, parece que agora foi descoberto que basta achar a outra pessoa interessante para poder sentir-se sexualmente atraída por ela. Não interessa o género sexual, interessa a pessoa.

E, confesso, é esta parte que mais me faz confusão. Eu, realmente, já conheci muitas mulheres que acho muito interessantes e com quem queria continuar a conviver, mas nunca me apaixonei por nenhuma, nem, mais concretamente, me senti atraída sexualmente por ela. O que levanta a questão: há afinal três tipos de pessoas? As que desde os 4 anos só se sentem atraídas por pessoas do mesmo sexo + as que sempre se sentiram atraídas pelo sexo oposto + as que  descobrem que se sentem atraídas pelos dois lados? Ou somos todos potenciais bissexuais e os heterossexuais como eu e os homossexuais que juram só gostar de homens desde os 4 anos são uma cambada de mal informados ou de preconceituosos?

Eu sei que já os gregos gostavam de se relacionar com ambos os sexos e que até alguns romanos o faziam. Já Júlio César tinha uma queda por homens e mulheres. Consta até que, para além do caso extraconjugal com Cleópatra, tenha tido antes um caso com o irmão dela. Será a história suficiente para provar que a bissexualidade está na natureza humana? Ou apenas prova que algumas pessoas nascem com essa capacidade?

E, porque é que, de repente, os casos de bissexualidade aumentaram tanto? Teremos ultrapassado mais um tabu? Será moda? Será pura promiscuidade? Ou será uma abstracção que os liberta de uma variável (género) e os deixa focar noutras variáveis (como inteligência, génio e personalidade)?

 

Tsetse

4 comentários

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    tsetse 12.12.2008

    Então esta nova "vaga de bissexualidade" significa para ti menos um tabu e mais liberdade? Quer dizer que sempre existiu mas só agora é que as pessoas começam a admitir?

    Já agora, pelo facto de nunca te teres sentido atraído por um homem e (provavelmente) te teres sentido atraído por muitas mulheres, não te faz pensar no porquê? Será que afinal nem toda a gente é bissexual por natureza? Ou é ainda um preconceito ou dificuldade tua?
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    Miguel 15.12.2008

    Quando digo "já não tenho influências negativas...", revelo na entrelinha que já as tive em pelo menos uma situação. Na realidade, em três situações que não se concretizaram por preconceito, medo, por um certo mal-estar inibidor. Por uma dificuldade minha, derivada do preconceito (para responder à tua pergunta).
    Não creio que todos sejam bi-sexuais, por natureza, por gosto ou por qualquer outra razão.
    Estou convencido de que a bi-sexualidade resulta da necessidade de encontar novas formas de passar bons bocados. Nem mais nem menos. Não tem equiparação com a homossexualidade, que é por definição fundamentalista. Os(as) homossexuais não têm escolha. São assim porque são.
    Os bi sentem-se bem com uma mulher ou com um homem ou com ambos em simultâneo. Por gozo, por prazer, por luxúria. Porque lhes sabe bem.
    E não há necessidade de rotular tal prática de "promiscuidade". Que raio, sexo sem casamento já foi, e ainda é, considerado promiscuidade.
    Não! Ser bi-sexual é ser livre, não ligar a tabus nem a preconceitos. É ser completamente alheio a noções tão ridículas como a de que "as mulheres não têm necessidades sexuais", que vigorou até às décadas de 60/70 e que ainda subsistem em certas cabeças.
    Não estou a fazxer uma apologia da bi-sexualidade. Estou sim a elogiar, e a invejar, quem tem auto-confiança que chegue para se sentir bem em tal pele.
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    Carla 12.08.2010

    A bissexualidade não é uma escolha ou uma "necessidade de encontrar novas formas de passar bons bocados".. Na realidade sempre me relacionei com homens e sempre fui verdadeiramente feliz com eles, mas apaixonei-me  verdadeiramente por uma mulher, não por escolha, por sexo ou por outra razão semelhante. Nós não escolhemos... Somos o que somos...
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