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O Interno Feminino

Divagações e reflexões do mundo no feminino. Não recomendado a menores de idade ou a pessoas susceptíveis.

A injustiça das prendas

Avatar do autor tsetse, 10.10.07

Já aqui falamos muitas vezes das injustiças impostas às mulheres. Mas falta falar de uma das suas vertentes: as prendas. Enquanto os homens recebem livros interessantes, whiskys que gostam, charutos que adoram e outras coisas boas, as mulheres recebem coisas para a casa, que ambos vão usar.

O pior é quando são os próprios maridos a dar. Enquanto a mulher passa uma tarde à procura daquele jogo para a Playstation que ele tanto quer e que está esgotado em todo o lado, ele vai a uma loja de electrodomésticos e compra uma picadora. Para a mulher cozinhar e ambos usufruírem, claro.

Uma vez, estava em casa duns amigos, quando um outro indivíduo entrou na cozinha e perguntou à dona da casa onde tinha comprado um electrodoméstico, pois queria oferecer um à mulher. Perguntei se ele não achava injusto, uma vez que este seria utilizado para fazer comida para os dois. Ficou a olhar para mim, muito surpreso, como se não estivesse a seguir a minha linha de raciocínio. Perguntei se ele gostaria de receber aquela prenda, ao que ele respondeu que óbvio que não, pois nem cozinhava. Aquela seria uma prenda para facilitar a vida à mulher. Por isso, muito bem intencionada. Perguntei então se ele preferia receber uma bem intencionada tesoura de poda, para tratar melhor do quintal, ou um jogo para a sua consola. Espero que tenha percebido a ideia.

É por estas e por outras que tenho um apelo a fazer: este Natal, pensem bem antes de comprar uma prenda. Meninos, se querem uma máquina de fazer sumos lá para casa, tenham a decência de a comprar antes do Natal, como quem compra um outro gadget qualquer. E, meninas, se estavam a pensar oferecer uma garrafa de Vinho do Porto ao tio e uns copos à tia, troquem as voltas! Ofereçam os belos dos copos ao tio e uma caixa de chocolates à tia, para ver como reagem.

Tsetse

3 comentários

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    tsetse 10.10.2007

    Caro Francisco, parece que no essencial estamos de acordo: é preciso estar atento a quem se dá a prenda.

    Compreendo que tenho uma experiência de vida diferente da minha e que veja exemplos diferentes. Provavelmente, melhores.

    De qualquer forma, não me parece que seja caso para chamar ao meu texto de hipócrita. E, já que a sua filha costuma ler este blog, deveria dar um exemplo melhor, de tolerância com as pessoas que não têm a sorte de viver no seu mundo perfeito.
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    Francisco 11.10.2007

    Cara tsetse,

    O texto é, na minha óptica Hipócrita, Maxista e obtuso.
    O meu comentário ao mesmo é directo.
    No mesmo explico o porquê.
    Limitei-me a dar uma opinião.
    Lamento que todos os que não concordarem consigo sejam automáticamente rotulados de "intolerantes".

    O curioso é que volta a revelar o mesmo esprito quando classifica a minha vida como o meu "mundo perfeito" (onde não necessito de me preocupar com o que pensa a minha filha mais velha, pois ela conhece muito bem o pensa o pai, e reconhece-me tolerancia, na mesma medida em que me reconhece o ser directo e não ter quaisquer problemas em afirmar a minha opinião mesmo sendo muitas vezes politicamente incorrecto).

    Não existem mundo perfeitos.
    Quem lhe fala deste lado e neste momento de bem longe do nosso querido Portugal é alguém que passou fome para garantir que nada faltaria aos que ama.
    Tudo o que podemos fazer de diferente na vida são opções, viver com elas e tentar sempre ver o melhor lado das mesmas.
    Dou-lhe um exemplo fácil.
    Tenho uma carreira internacional que me tem levado a estar apartado da minha mulher muito tempo.
    Aconteceu nos anos 90, por um periodo de 4 anos e acontece actualmente num projecto que leva já 2 anos e só deve estar terminado na próxima primavera.
    No mundo em que vivo sou forçado a viajar muito e a ficar em inúmeros hoteis, cruzando-me com inumeras pessoas estimulantes, quer mental quer fisicamente. E, por vezes, pode surgir uma tentação que abre a porta à traição.
    Porém o trair ou não trair é uma opção... uma opção mais.
    Até hoje (e acredite... estou longe de ser perfeito) nunca traí em nenhuma relação (nem nesta que à muito atingiu a maioridade e que pode já votar, nem em qualquer outra anterior), não por me sentir "superior" ou "diferente" dos outros (sou de carne e osso e nada me impede que me possa acontecer o mesmo típo de experiencia da grande maioria das crianças (rapazes e raparigas) da minha geração, onde, de 127 casamentos só sobrevivem 3 à data de hoje...).
    Não traí porque, ao longo de todos estes estaria a trair, em primeiro lugar o meu próprio coração...
    ... talvez a tsetse tenha razão... Tive sempre a vida facilitada, pois a vida permitiu-me partilhar uma pessoa que me completa, uma pessoa que é a minha vida, e que está sempre presente, mesmo quando temos mais de 4.000 Km entre nós como agora e só nos vemos em média 2 a 3 vezes por mês.
    Basta, ao pegar no telefone, ouvir a sua voz para saber como está... se bem que seria mais fácil se pudesse mergular nos seus olhos.
    Mas esta minha opção foi uma opção nossa (dos dois... nem faria sentido de outra forma) que não é agora chamada ao assunto.

    A vida é per sí tão dificil, porque é que não deveremos descomplicar e não termos vergonha de confessar ao nosso par as nossas limitações?

    Se alguém não conhece os gostos da sua cara metade, porque carga de água é que em lugar de procurar aconselhamento "profissional" não procura conhecer melhor a pessoa que ama?

    E... sem pretender seguir o diapasão de resposta altivo que me dá... lamento se o meu comportamento imperfeito e este meu terrivel defeito de não ter medo de falar com o coração nas mãos, a feriu...
    ...acredite que procurei partilhar algo que lhe pudesse trazer algum valor acrescentado, porém sou apologista de que "uma pancada nos olhos faz ver melhor".
    Desculpe os salpicos que a molharam provocados pela minha pedrada no seu charco.
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