tsetse @ 23:53

Seg, 18/07/11

E se um dia conhecessem o homem dos vossos sonhos e ele vos dissesse que era bissexual? Monogâmico, mas com alguns ex-namorados no repertório?

 

Quando faço esta pergunta aos homens (versão mulher dos sonhos deles) a resposta é quase sempre a mesma. Que não faria diferença. Quando coloco a pergunta a mulheres, até agora e com a excepção das mulheres que também são bissexuais, recebo a resposta contrária. Ouço um "Não, não era capaz" ou um "Só de imaginar que ele esteve com outro homem, até fico mal disposta".

 

O que levará a esta dicotomia? Será que as mulheres são menos liberais? É uma hipótese, mas não me parece que seja a principal razão. Tenha a impressão de que as mulheres associam um homem que se sente atraído por outro a feminilidade e falta de testoterona.

 

Para além disso, não gostam de pensar no seu mais que tudo enrolado com outra pessoa e, perante a notícia da bissexualidade, não podem deixar de imaginar o rapazinho em posições menos próprios com outro marmanjo qualquer. E isso não é nada sensual.

 

Ao contrário dos homens, que desde novinhos vêem pornografia, alguma dela envolvendo várias moçoilas bastante amistosas umas com as outras, as mulheres, para além de consumirem menos este tipo de conteúdos, quando querem ver alguma coisa, normalmente vêm imagens produzidas para homens heterossexuais. Imagens essas que, normalmente, não incluem homens a acariciar outros homens. Por isso, estas não são imagens que populem o seu imaginário.

 

E vocês? O que pensam?

 

* ilustração de Roxy Lady




tsetse @ 15:44

Sex, 12/12/08

Já estava eu habituada à ideia de que havia pessoas que só se sentiam atraídas por outras do mesmo sexo, que desde os 4 anos sabiam que eram diferentes, que era tudo uma questão biológica ou química, de que era tudo muito normal e que, como defensora do direito à diferença, devia aceitar o facto, quando, de repente, uma nova questão se põe.

Uma amiga de infância admite que, entre namorados, se apaixonou por uma mulher; uma conhecida, depois de viver dois anos com uma mulher e ter convencido toda a família a aceitá-la como lésbica, fica noiva de um homem; uma conhecida coloca no seu site pessoal, misturado com uma série de artigos escritos no âmbito do seu doutoramento, o texto sobre o orgulho de ser bissexual; um amigo escreve sobre o facto de se apaixonar por pessoas interessantes, independentemente do sexo; outro amigo admite também que até há uns anos andava com mulheres, mas que agora anda com homens, até ao dia que encontrar uma mulher que lhe interessasse; e, por fim, mais um conhecido admite que a mulher o traiu com outra mulher, embora continue a gostar de homens.

Se fosse só um caso, eu poderia acreditar estar perante um excepção. Mas parece que não. Passei trinta anos sem ouvir falar de um único caso de bissexualidade assumida, para, de repente, uma série de pessoas a acharem normal. A história que os gays nos contavam nos anos 90, de que jamais se sentiriam atraídos por mulheres, parece estar ultrapassada, parece que agora foi descoberto que basta achar a outra pessoa interessante para poder sentir-se sexualmente atraída por ela. Não interessa o género sexual, interessa a pessoa.

E, confesso, é esta parte que mais me faz confusão. Eu, realmente, já conheci muitas mulheres que acho muito interessantes e com quem queria continuar a conviver, mas nunca me apaixonei por nenhuma, nem, mais concretamente, me senti atraída sexualmente por ela. O que levanta a questão: há afinal três tipos de pessoas? As que desde os 4 anos só se sentem atraídas por pessoas do mesmo sexo + as que sempre se sentiram atraídas pelo sexo oposto + as que  descobrem que se sentem atraídas pelos dois lados? Ou somos todos potenciais bissexuais e os heterossexuais como eu e os homossexuais que juram só gostar de homens desde os 4 anos são uma cambada de mal informados ou de preconceituosos?

Eu sei que já os gregos gostavam de se relacionar com ambos os sexos e que até alguns romanos o faziam. Já Júlio César tinha uma queda por homens e mulheres. Consta até que, para além do caso extraconjugal com Cleópatra, tenha tido antes um caso com o irmão dela. Será a história suficiente para provar que a bissexualidade está na natureza humana? Ou apenas prova que algumas pessoas nascem com essa capacidade?

E, porque é que, de repente, os casos de bissexualidade aumentaram tanto? Teremos ultrapassado mais um tabu? Será moda? Será pura promiscuidade? Ou será uma abstracção que os liberta de uma variável (género) e os deixa focar noutras variáveis (como inteligência, génio e personalidade)?

 

Tsetse



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