tsetse @ 18:05

Dom, 08/05/11

Há homens que, quando se metem numa relação, ficam irreconhecíveis. Parece que foram raptados por aliens e substituídos por robots ou contaminados por zombies e transformados em mortos-vivos. De repente, perdem a alegria, as tiradas hilariantes, a vontade de sair, a energia, a graça, a alma. Ficamos assim desconfiados, a pensar se foi a namorada que os drogou ou se estamos perante algum perigo público e devemos fugir a sete pés.

A primeira vez que reparei nisso foi já há muitos anos. Tinha um amigo fantástico, daqueles que fazia toda a gente rir, com uma imaginação que parecia não ter fim e uma boa disposição constante. Enquanto ia tendo namoradas de curta duração, nunca percebi nada de estranho. Mas, no dia em que começou uma relação com a pessoa com quem se veio a casar, perdeu toda a graça. Parecia um caso de abdução digno de um episódio dos X-Files. Depois de uma análise grosseira, concluí que ela devia ser má influência. Imaginei que, para estar ao lado de uma pessoa tão amorfa e entediante, ele tivesse que se adaptar. 

Uns anos mais tarde, qual não foi o meu espanto quando ouvi dizer que os amigos da rapariga se queixavam exactamente do mesmo. Que ela até era muito divertida e que o nosso amigo, chato que só ele, a tinha mudado à sua imagem e medida. E, quanto mais histórias malucas eles contavam sobre a rapariga (e sim, eram muitas e boas), mais o mistério se mostrava, afinal, por resolver.

Ultimamente, tenho reparado em mais casais que sofrem do mesmo mal. Pessoas que, sozinhas ou com outros companheiros, tinham muita graça e personalidade, mas que agora, embora pareçam convencidos de estar com a pessoa certa, estão chatos, sem esperança no olhar e sem assunto.

Como o caso é grave, voltei à investigação e para já tenho as seguintes teorias:

1. A velha teoria dos aliens, robots ou zombies, que ainda não está descartada.

2. A suspeita de que certas relações são tão boas ao início, que acabam por funcionar como uma droga. Deve estar tudo bem, quando estão a drogar-se (sozinhos a curtir a relação) mas, quando estão com os amigos, sentem a falta da droga (vida em casal) e, por isso, ficam com os sintomas de qualquer ressacado. Mais tarde, sentem-se mal na relação, porque sabem que estão uma nódoa, mas não conseguem sair, tal é o vício.

3. A hipótese de essas pessoas não terem mesmo graça nenhuma, mas terem fingido ser alguém que gostariam de ter sido, para caçar um companheiro que tudo indica que vá ser de longa duração. Objectivo cumprido, acaba o teatro.

Conclusões? Para já, só uma: é uma pena ver tanto potencial desperdiçado. Mas mais teorias são bem vindas!



masculino @ 21:09

Dom, 08/05/11

 

Boas partilho da tua opinião nº2. Penso que essas pessoas vivem uma coisa de cada vez, acho que já era da personalidade deles. kisses

packard em rodagem @ 11:41

Qua, 11/05/11

 

abúlico, serve?
(lembra-me sempre um bule de chá).

brisa @ 11:50

Qua, 11/05/11

 

Vê-se se uma relação é produtiva ou não quando ambos mudam... para melhor. Se qualquer um dos dois se apaga e muda completamente de comportamento, aí há gato - ou é manipulado ou fingiu ser outra pessoa enquanto andava à caça. Estar com alguém que se ama é ver vir ao de cima o que temos de melhor, não o contrário.


antiego @ 12:38

Qua, 11/05/11

 

Penso que deve acontecer com certos casais de namorados o que acontece com pessoas que casam ou começam a fazer vida marital. Tornam-se mais sérias, mais responsáveis, menos disponiveis para todos excepto para a sua cara metade, que parece absorver tudo.

O cio é um dos maiores estimulantes e então misturado com álcool é uma bomba atómica. O pessoal com uma relação estável já não anda tão aos pulos. Não jorra tanta alegria.

Claro que eu acho que este caso extremo parece doentio. Uma coisa é ficarmos menos disponiveis, outra coisa é ficarmos mortos-vivos para os amigos. Mas cada qual terá as suas razões.

Casper @ 18:51

Sab, 14/05/11

 

Eu também partilho da opinião de que as pessoas se tornam mais sérias e mais responsáveis quando se enforcam. Além disso, acho que começa a haver uma espécie de avaliação continua do comportamento do conjugue em ajuntamentos sociais, ou seja, ambas as partes avaliam e são avaliadas. As pessoas tendem a  retrair-se sob pena de fazer algum comentário que desagrade o/a parceiro/a ou para evitar situações de ciúmes e em consequência, discussões ao chegar a casa. 

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