TNT @ 14:49

Ter, 06/10/09

Creio que este é um assunto que nos toca a todos. Que já tocou ou que ainda nos vai tocar. O luto da relação.

Quando uma relação morre deve fazer-se um luto não inferior a dois anos. Dois anos sem se saber daquela pessoa, sem se contactar com os amigos ou família daquela pessoa, sem se ir aos locais que a pessoa frequentava. Se assim não for, o peso da morte, do falhanço e do sofrimento estará sempre a ser renovado e novos pesos se acumulam.

Por vezes, a coisa torna-se difícil. Ou porque nos apegamos muito à envolvente dos defuntos, ou porque os defuntos até são figuras públicas, ou até por ser o vizinho do lado e dificilmente conseguimos evitar ouvir o corrupio de gajedo a entrar e sair do 3º esquerdo.

Há uns bons anos atrás morreu uma relação que tive com uma figura pública. Temos de convir que não é fácil esquecer alguém se ligamos a tv e está lá, folheamos uma revista ou jornal e está lá, se ligamos o rádio e pimba... lá está! Não tive outra hipótese senão emigrar. A figura era pública, mas não era o Obama por isso não corria o risco de ser conhecido em terras do Tio Sam. Muitos dirão que foi uma medida radical ou exagerada... Olhando para trás – e realmente já lá vão muitos anos – continuo a achar que foi o melhor que fiz.

Se os defuntos são vizinhos do lado, mudem de casa! Se gostam dos amigos deles, azarito, arranjem outros mais divertidos e que acima de tudo não conheçam a personagem de lado nenhum. Locais para sair? Há muitos, aos montes, embora não pareça.

O pior é quando nós conseguimos fazer estas mudanças radicais de vida e o outro lado insiste em ligar aos nossos amigos, familiares, fazerem-se ‘amigos’ nas redes sociais, insistir em ir aos sítios que já eram nossos. A coisa fica mais difícil, mas não impossível. A treta é que temos de trabalhar a dobrar, já que os inúteis não cumprem a sua parte. Mas quantas vezes não fazemos isto no nosso emprego? E nem ganhamos mais por causa disso! Aqui só temos a ganhar. Paz de espírito, acima de tudo...

A morte de uma relação é a morte de um bocado da nossa vida. Tem de ser devidamente enterrada para que quando se pense nela se consiga fazê-lo com um sorriso e não com um esgar de amargura.
 



O_Alminhas @ 16:02

Ter, 06/10/09

 

Hmmm... este post parece-se muito com um que escreveste, aqui há um ano e tal, se não me engano, sobre os vários tipos de comportamentos da outra parte quando se acaba a relação - uma das categorias eram os «anjos negros», lembro-me de ter comentado isso...


TNT @ 16:27

Ter, 06/10/09

 

Sim, já tinha abordado o tema sob outras perspectivas. Mas, ultimamente, tenho ouvido tantas histórias acerca do assunto que decidi tornar a abordá-lo. Histórias de pessoas presas num limbo que não é nem deixa de ser e que as impede de ser felizes...

O_Alminhas @ 16:33

Ter, 06/10/09

 

Parafraseando algo que uma vez ouvi, "A vida não é sinónimo de acumular, é estar vivo e amar a próxima", ahahah!


cigana @ 16:08

Ter, 06/10/09

 

A parte difícil é aceitar a morte. Depois disso, choramos, fazemos o luto, choramos, enterramos os mortos, choramos e arrumamos a nossa vida.
Mas enquanto não aceitarmos a morte da relação, ficamos assim presas num limbo em que estamos sempre dispostas a retroceder, a reavivar a chama. E se a coisa é com o vizinho ou com o amigo do nosso primo, é o cabo dos trabalhos. Se o marmanjo também acha graça manter a dúvida, então é um ciclo vicioso de que é difícil sair.
Estou como tu, ganhem juízo, fujam, emigrem, façam uma lavagem cerebral!

 


TNT @ 16:29

Ter, 06/10/09

 

Sim, façam tudo para se libertarem! Compensa e muito!


Perplexo @ 17:35

Ter, 06/10/09

 

Concordo com tudo, mas acho que o tempo não será forçosamente dois anos. Depende de muita coisa. Menos de um ano acho difícil, mas pode ser. Tem muito a ver com o que nos acontece a nós. Se estivermos num bom período noutras áreas, é mais fácil e mais rápido. Se tivermos uma vida muito agitada e cheia de solicitações, é mais fácil.
Agora, a melhor maneira de esquecer um amor, é encontrar outro amor. Aí é remédio santo!


TNT @ 17:46

Ter, 06/10/09

 

Completamente de acordo!

Machines & Emotions @ 20:42

Ter, 06/10/09

 

O limbo, as dúvidas q pairam no ar... é tudo bem lixado! Mas sim, fugir e bem! É de facto o melhor, por mais que custe, por mais que apeteça ficar ali (para nada) mais um bocado, temos que cortar. É uma verdade.


TNT @ 11:36

Qua, 07/10/09

 

Tem de ser... sob pena de estragarmos grande parte da nossa vida.

Mary Jane @ 23:30

Ter, 06/10/09

 

Maior medo: a morte de um ente querido!

(percebes porque não me alongo mais no comentario).

Beijinhos


AlfmaniaK @ 00:52

Qua, 07/10/09

 

"(...)é um assunto que nos toca a todos. Que já tocou ou que ainda nos vai tocar."


Ora cá está mais um assunto para a qual ainda não tenho qualquer tipo de experiência, e por isso, a minha opinião é irrelevante. Não posso é deixar de perguntar como é que se processam aquelas relações em que há crianças metidas ao barulho!!?
Custa-me a crer que a "morte" de uma relação seja algo tão linear e comum a todos (ou muitos) e que seja possível diagnosticar um prazo de recuperação. Às vezes convenço-me que o luto é algo que fazemos porque queremos, e muito "só porque sim"... mas posso estar enganado!

Margarida @ 11:06

Qua, 07/10/09

 

Ía exactamente fazer essa ressalva: e quando há crianças? Uma relação que acaba mas da qual existem filhos, normalmente, menores e a necessitar da atenção de ambos os progenitores, não pode ter o mesmo tipo de tratamento e, no entanto, também essas, do meu ponto de vista, precisam de luto... como fazer? Aceitam-se sugestões...
M.


TNT @ 11:32

Qua, 07/10/09

 

Acho que nestes casos há que manter uma relação cordial como se mantém com a professora do colégio ou com o Sr. Simões do talho. "Bom dia, boa tarde como está? O miúdo está pronto às 16h. Estão aqui os medicamentos com as instruções..."
Conversas com a família dele/a? Nada! Tentar saber se ele/a anda com alguém? Nada! Jantaresm em casa de amigos comuns? Nada! Novos amigos, novas famílias e, preferencialmente, novos amores...

Carla @ 23:08

Sab, 10/10/09

 

Existe uma coisa chamada relação cordial e, no meu ponto de vista, é o ideal a fazer quando há filhos. Falo com a experiência de uma separação que fui eu que a solicitei. Nada de encontros, nada de conversas extra a criança. Quanto muito um "como está a tua mãe?" Isso é a garantia de um simples "bem", do outro lado. Lembro-me de ter de ser "fria" porque o ex queria ser meu amigo. Lembro-me de uma conversa em que disse que jamais seria amiga de um homem que já amei. Lembro-me das trombas durante meses...mas resultou. Conseguimos falar, sobre o filho, e conseguimos chegar áquele estado em que sendo apenas cordiais sabemos, ambos, que se o outro precisar vamos lá e claro que ajudamos, mas só ajudamos no que for realmente preciso.


Convivo com um sujeito que fez o oposto disto com a ex. Está separado há mais de 5 anos e vive um autêntico inferno com ela e com os filhos que ela faz questão de voltar contra o pai sempre que ele não faz o que ela acha que ele deve fazer. Chama-se a isto PRISÃO EMOCIONAL COM UMA EX RELAÇÂO. As/os actuais NUNCA entendem. E é bom que se entenda isto!


TNT @ 11:39

Qua, 07/10/09

 

Alf, acredita que é sempre necessário fazer o tal luto...
No caso de haver crianças à mistura há que manter uma relação cordial, mas sem cúnfias! Já houve cúnfia que chegasse!

Anónimo @ 14:39

Qua, 07/10/09

 


E quando nao nos deixam fazer o luto? Nos bem que o queremos fazer mas ele nao deixa!
E acabamos sempre por ter recaídas...


TNT @ 14:51

Qua, 07/10/09

 

Como digo no post... tem de se ter trabalho a dobrar. É chato mas tem de ser!

ruben @ 15:07

Qua, 07/10/09

 

é um procedimento dos manuais. o tempo é relativo, dois anos parecem-me suficientemente seguros. mas com a experiência que a vida nos impõe, esse período torna-se desnecessário excepto se o relacionamento tem um desequilibro acentuado e aí sim é preciso tomar as devidas precauções. falo de chamadas e sms, pop ups no gabinete, corredor ou maquina de café, esperas á hora de saída, etc. são desequilíbrios que nada têm que ver com o sentimento verdadeiro e respondem somente ao expediente cujo motivo ou mola real só mesmo a pessoa em questão é que sabe. Aí sim, existe a necessidade de se ser firme e cauteloso(a). Tirando esse caso específico, não sinto necessidade de mudar a minha vida se não for essa a minha vontade. a pessoa em questão vai sentir que estou diferente sem ter de a magoar ou ela a mim. sem dramas internos ou externos, esses envio-os para a distante adolescência. 


TNT @ 00:12

Sex, 09/10/09

 

Dois anos são claramente seguros. Tenho praticado e a coisa não tem corrido mal!

Carla @ 00:42

Dom, 11/10/09

 

Cuidado! Quando os desiquilibrios são grandes...a coisa pode tornar-se num inferno! Nessas circuntâncias não só é preciso ser-se firme como deixar absolutamente claro ao outro que se dali passar vai sofrer consequências! Há por aí muito desiquilíbrio, acredita! Mas deves ter tido sorte...

ruben @ 17:15

Dom, 11/10/09

 

tou a brincar Carla, eu adoro melgar o querido inimigo. o assunto do post é como saber lidar com os nossos sentimentos e eu respondi como lidar com os sentimentos dos outros. o que eu disse no comentário é só meia verdade. a pessoa em questão sabe e sente-se confiante para apertar comigo. eu sim, fiz a purga de dois anos e meio e não resultou, apenas esfriou um pouco. mas quem manda em mim é a minha cabeça e não o meu coração. por isso, é apenas um desiquilibrio saudável mas cruel. porém dou-te razão em relação aos outros desiquilibrios que podem tornar-se bem perigosos e por vezes acabam em tragédia de noticiário das oito da noite. 

AnónimA @ 11:37

Qui, 08/10/09

 

É preciso ter-se muita muita coragem para fugir e fazer o luto sozinha. Geralmente, e até inconscientemente acredito, tendemos a ir aos mesmos locais, ter os mesmos amigos.. isto tudo com a esperança que a chama vai reacender.


TNT @ 00:13

Sex, 09/10/09

 

Por essas e por outras é que nunca devemos largar o nosso círculo de amigos como muitas vezes acontece quando se entra numa nova relação...

Miguel @ 13:46

Qui, 08/10/09

 

Faça-se uma festa, tipo boda.
Os amigos chegados e a família, todos à volta dum bom porco no espeto, um espumante de boa categoria - da Bairrada, por exmplo, e PUMBA, todos a fazer chin-chin de longa morte ao(à) "falecido(a)", muito "fogo de vista" e bichas de rabiar, e um baile abrilhantado por um qualquer Conjunto Maria Albertina. De 15 em 15 minutos repete-se o chin-chin de long...

Se depois disto ainda houver ameaços de recaída ou estados de ansiedade, aplica-se o post "Os muros da vergonha", publicado neste blog em 23.09.2009, podendo, e devendo, todos os convidados da festa sentir vergonha do(a) "viúvo(a)".


TNT @ 00:14

Sex, 09/10/09

 

Por acaso já organizei uma festa de divórcio a uma amiga!

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