convidado @ 15:47

Seg, 20/07/09

A semana passada, durante um jantar, conheci uma rapariga que dizia que nunca provou uma bebida alcoólica e que achava deprimente ver outras pessoas que beberam demais. Achava que não tinha perdido nada por nunca ter experimentado a sensação de estar inebriada e que sempre se divertiu na mesma. Enquanto ela falava, eu ia recordando algumas peripécias que passei por ter bebido demais e que ainda hoje me fazem rir imenso. A verdade é que não consegui esconder um sorriso e tive a certeza de que, se nunca tivesse bebido, a minha vida não teria sido tão divertida.

No dia seguinte, fui jantar com um rapaz que contava uma série de aventuras que passou, devido à sua descontracção no que toca a relacionamentos, e era perceptível que ele se divertiu e ainda diverte imenso à custa disso. Quando lhe disse que nunca tinha tido uma relação de um só dia, nem sequer algo que se aproximasse, vi nos olhos e lábios dele a mesma expressão que tinha feito à rapariga do dia anterior.

Eu não acho que me tenha divertido menos por isso, mas a verdade é que não posso ter a certeza. No entanto, tenho a certeza absoluta de que desfrutei muito mais por ter estado à vontade para beber e lembro-me muito bem das histórias hilariantes que acrescentei à minha vida graças a esse "exagero" mais ou menos controlado, pelo menos no que toca à frequência.

A verdade é que é muito fácil saber se algo que experimentámos correu bem ou mal, mas muito difícil saber quais teriam sido as consequências do que não chegámos a fazer e saber definir o que nos levou a escolher esse caminho. Ou seja, é difícil distinguir entre ética, gosto pessoal, medo de errar e medo de não ser aceite pela sociedade.

Bee




TNT @ 18:16

Seg, 20/07/09

 

O que me assusta verdadeiramente é deixar de se fazer seja o que for por acharmos que pode não ser assim tão bem aceite pelos outros. Passamos metade da nossa vida a tentar agradar a todos e muitas vezes esquecemo-nos de nós e das coisas que nos fazem felizes.

M.V. @ 18:23

Seg, 20/07/09

 

Como vos compreendo. Um dia tive uma grande paixão por um amigo e nunca lhe disse por ter medo de não estar à altura dele em termos estéticos e ao mesmo tempo por achar que as minhas amigas não o iam aceitar bem por outros pormenores que agora não interessam nada. Dez anos depois vim a saber que tinha sido correspondida, mas entretanto o momento já tinha passado. Acho que fiquei pelo menos com mais dados para imaginar o que perdi... E mais irritada por não ter arriscado.

Bee @ 18:31

Seg, 20/07/09

 

Acho que já encontrámos dois novos temas para posts: "quando estamos mais preocupados com a opinião dos outros do que com a nossa felicidade" e "perdemos sempre mais em não arriscar?"


AnónimA @ 19:44

Seg, 20/07/09

 

Grandes e maravilhosos e hilariantes momentos que vivi com uns copos a mais e que ainda hoje, quando me lembro, me fazem sorrir ou mesmo rir e soltar valentes gargalhadas.
Também já vivi relacionamentos (se é que se pode chamar assim) de um dia (mais noite) e, apesar de ser diferente, prefiro muito mais relações de mais dias, meses, anos :)
Quanto a charros, por exemplo (coisa que poderia acontecer entre bebidas e mais bebidas) nunca experimentei, não porque tinha medo de ficar viciada, nem não com medo do que os outros deveriam falar, mas sim porque não queria, não me apetece, não me chama, não me faz mais feliz.
E acho que toda a gente devia fazer assim: fazer o que lhes apetece, que gostam e querem fazer!
Só temos esta vida...

Bee @ 21:21

Seg, 20/07/09

 

Olá AnónimA! O problema é: e se há algo que até nem nos apetece fazer, mas, se o tivéssemos feito, teria sido fantástico? A rapariga da história também está convencida de que não perdeu nada por não ter experimentado bebidas alcoólicas e eu suspeito que perdeu...

Q @ 11:11

Ter, 21/07/09

 

Se não nos apetece fazer, o mais provável é, no final, chegarmos à conclusão que estávamos certos, nem que seja para evitar a dissonância cognitiva. Será diferente quando, secretamente, temos vontade de fazer algo mas, por qualquer motivo (medo, pressão da sociedade, vergonha, etc.), afirmamos perante os outros o contrário dos nossos desejos. Aí sim, acho que se anda a perder o melhor da vida.

Se a rapariga acreditar verdadeiramente que a bebida não lhe faz falta, o mais provável é que não faça mesmo. Claro que nós podemos sempre pensar "mas fazia-te bem, se calhar tornava-te mais divertida!", mas isso já é um problema de personalidade da moça... não creio que ela, depois de uns valentes copos, viesse admitir que "ah, afinal sou uma pessoa bem mais divertida".

Depois há a noção do que é "divertimento". O que é para ti pode (e deve, a bem da diversidade) ser diferente para mim. Ou, ainda, o que era divertido para mim aos 17 anos pode já não ser aos 30 e vice-versa. É como pôr alguém que não passa sem resorts com room-service a fazer um inter-rail. Ou como tentar convencer uma pessoa que gosta de partir à aventura a passar uma semana de papo para o ar num hotel no nordeste brasileiro. A pessoa até pode achar piada... mas talvez não seja aquilo que verdadeiramente a diverte.

Bee @ 18:06

Ter, 21/07/09

 

Pois, concordo contigo. Mas, por outro lado, suspeito que há coisas que achava que não me divertiam e que, se calhar, até teriam divertido.

AnónimA @ 15:17

Ter, 21/07/09

 

Olá Bee.
Mas a tal rapariga já não tem uma pré-disposição para beber. Ela sente-se bem e feliz e realizada assim, de tal forma até que se experimentar apanhar uma bela bebedeira, até pode se vir a arrepender... Não gostamos nem nos divertimos todos com o mesmo, não é? E ainda bem...

Bee @ 18:36

Ter, 21/07/09

 

E se a pessoa que inventou a roda se tivesse sentido realizada sem a roda?

(just joking)


AnónimA @ 15:19

Qua, 22/07/09

 

heheheheh

Faríamos mais caminhadas e estaríamos menos obesos e mais saudáveis :D

São @ 21:10

Seg, 20/07/09

 

O arrependimento de alguma coisa que fizemos é mais fácil de suportar que o arrependimento de não termos feito algo.


tsetse @ 21:33

Seg, 20/07/09

 

O maior erro (e, consequentemente, maior arrependimento) da minha vida foi algo que fiz. Em estado de loucura, é verdade, mas fiz.

Sempre achei que devíamos arriscar, que a vida deve ser vivida ao máximo, que devemos seguir o coração, etc. Mas agora percebi que, embora a diferença inicial entre não perder uma oportunidade e fazer uma estupidez, seja pequena, a diferença das consequências é muito grande.

Por isso, não sei se concordo ou não contigo. Acho que depende da dimensão, do perigo e das possíveis consequências da situação.


TNT @ 21:39

Seg, 20/07/09

 

Eu já fiz muitos disparates - e continuo a fazer, agora que falamos nisso - mas há poucas coisas das quais me arrependo verdadeiramente. Quanto mais não seja, pelos ensinamentos que esses erros nos trazem. O problema é se não arriscarmos podemos passar o resto da vida a pensar "e se...?"
E isso acho que é o pior que tudo porque nunca conseguimos libertar-nos desse peso, por mais leve que seja!

http://shakermaker.blogs.sapo.pt @ 23:01

Seg, 20/07/09

 

Ora viva!

Por acaso tenho algumas reservas em falar sobre esse tipo de experiências, boas ou más, do passado. As poucas vezes que partilhei alguns desse episódios, fiquei chocado com a reacção dos outros, que por sua vez se mostraram chocados com algumas revelações. A menos que sejam pessoas em quem confio, eu próprio tenho preconceitos perante os outros. Porém, eles talvez estejam certos pois há coisas que não devemos mesmo partilhar. Que se lixe!

Um abraço...
shakermaker

Bee @ 18:39

Ter, 21/07/09

 

Sim, é preciso ter cuidado a quem se diz o quê e isso aplica-se a tudo. Eu também não disse o que já tinha feito, por beber, à rapariga que tinha acabado de conhecer. 

ruben @ 23:48

Seg, 20/07/09

 

eu abusei muito do álcool, das drogas leves e do tabaco quando era adolescente. cometi loucuras e extremos ao ponto de ficar em coma alcoólico com bastante frequência. pergunto-me hoje se as depressões que tenho, a falta de memória e os esgotamentos que tive, não são consequência do abuso de cannabis e haxixe que consumi naquela época. aos vinte, vinte e poucos anos cortei radicalmente com tudo até hoje. primeiro foi o haxixe, depois o tabaco e por fim o álcool. o tabaco deixou-me marcas para o resto da vida. se pudesse voltar atrás sabendo o que sei hoje não teria agido daquela forma, isso é uma certeza que tenho.

ruben @ 23:56

Seg, 20/07/09

 

grande parte dos meus amigos tornaram-se tóxico dependentes, outros morreram de overdose e hoje alguns estão recuperados, outros não conseguiram. eu salvei-me porque fui cumprir o SMO. a ultima coisa que eu faria na vida era a apologia de qualquer substancia que seja, álcool, tabaco, drogas leves e até mesmo café que é uma bebida que adoro. chamem-me radical que eu chamo-me a mim próprio escaldado!!!!! 


Bee @ 18:46

Ter, 21/07/09

 

Por isso é que eu tive o cuidado de dizer que fazia uns "exageros mais ou menos controlados, pelo menos no que toca à frequência". Acho que beber demais pode ter a sua graça, se for de vez em quando. Se for todos os dias, perde a piada e pode tornar-se num vício. Também sempre restringi o meu consumo de álcool a eventos sociais e nunca consumi sozinha. Cuidados que recomendo a todas as pessoas. Não há nada mais limitador que um vício.

branca @ 02:09

Ter, 21/07/09

 

Eu assumo: gosto de beber quando estou com os amigos, quando vou a festas!! Acho que me divirto mais, não sei porque, até consigo dançar, coisa que normalmente não me sinto à vontade... Mas atenção, bebo mas sei até onde o devo fazer... e não me arrependo de nada! Por vezes acho qua fui mal interpretada, mas tendo a minha consciencia tranquila acho que não há problema!
Mas por vezes já deixei de fazer coisas que queria por medo, ou por pensar que não era adequado...e agora penso em como teria sido...
Mas pelo menos já tenho algumas experiências na minha vida que me fizeram muito feliz, não posso dizer que fiz de tudo, mas mediante as oportunidades que fui tendo, acho que fiz bastante, embora também me arrependa por achar que poderia ter aproveitado melhor alguns momentos, que agora nunca mais se irão repetir...:(

Bee @ 18:48

Ter, 21/07/09

 

Esses eventos podem não se repetir, mas podes sempre investir noutros eventos e momentos parecidos...


Matheus Palma @ 03:19

Ter, 21/07/09

 

como diria o velho Twain : "cumpramos a tarefa de viver de tal forma que quando morramos até o coveiro o sinta."

Bee @ 18:49

Ter, 21/07/09

 

Não conhecia a citação mas recomenda-se!


Brisa do Mar @ 12:13

Ter, 21/07/09

 

Pois eu acho que toda a gente alguma vez na vida se arrepende pelo que fez e pelo que não fez. Sou da opinião que devemos ter várias experiencias na nossa vida pois é assim que nos vamos conhecendo e aos nossos limites. Se correr bem ,ok, se correr mal tem que se levantar a cabeça e seguir  em frente, temos que viver sempre com as decisões que tomámos, mesmo com as más!!Tambem considero dificil viver nos "se.." , mas quando isso acontece penso : Se não foi  era porque não tinha que ser...E assim tento esquecer esse assunto.já tou perto dos trinta e aproveitei bem a vida,muitas noitadas, alcool,rapazes.Drogas nunca experimentei, nem tive curiosidade,mas essas experiencias fizeram de mim a pessoa que sou hoje.Boa ou má pessoa SOU EU.

Carla @ 20:06

Ter, 21/07/09

 

Eu cá morro de medo das pessoas que fazem sempre e dizem que fazem sempre o que parece certinho. Pessoalmente tenho uma péssima experiência com esse tipo de pessoas. Nem sequer sou uma pessoa de vícios ou exageros, mas aquela conversa do nunca....não bebo, não fumo, não.... dá-me volta ao estômago. Ninguém é perfeito e eventualmente já fizémos todos um ou outro disparate, mais vezes ou menos vezes. Quem ainda não fez nenhum disparate ou vai fazê-los depois de velho (mais grave portanto) ou é mentiroso!


Quanto ao nunca se ter tido um caso de uma noite, tenho uma teoria: prefiro os homens experientes, com 1 noite, meses, anos, que experimentaram diferentes tipos de relação. Porquê? Porque sabem o que querem melhor do que os outros que não tiveram. Quanto às mulheres, penso exactamente da mesma maneira! 

Bee @ 10:17

Qua, 22/07/09

 

Sim, em princípio, a experiência traz muitas vantagens...

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