tsetse @ 11:35

Seg, 09/03/09

Às vezes, tenho a sensação de que a maior parte das pessoas vivem na esperança de serem felizes no futuro. Fazem enormes sacrifícios em prol do futuro, deles ou dos que amam, por uma felicidade que, na realidade, não sabem se vão alcançar. Deixam de conviver com os amigos e companheiros, para poderem trabalhar mais e ficarem ricos; deixam de seguir os sonhos, para acompanhar os filhos ou outros familiares; passam todas as horas livres a estudar, na esperança de aprender tudo; aceitam as maiores privações, para garantirem um companheiro na velhice; etc.

Mas a verdade é que este tipo de sacrifício extremo raramente funciona como esperado. Basta ler algumas notícias e falar com pessoas mais velhas para ouvir várias histórias de mulheres que passaram por grandes privações, anos a fio, apoiando o marido, para, no fim e se ele realmente alcançar o sucesso, serem trocadas por outra; de pessoas que descobrem que tudo o que estudaram na universidade está completamente desactualizado; etc.

Meus amigos, há uma altura certa para tudo e 24 horas dá para muita coisa. Não deixem passar a vossa juventude sem experimentar o amor nas suas várias formas e feitios (platónico, namoro curto, namoro longo, etc), sem espalhar alegria por todos os cantos, sem experimentar e sem conhecer o mundo; não deixem a idade adulta passar, como se estivessem em coma; não adiem tudo para a velhice, porque não sabem se vão lá chegar e, se chegarem, vão ter muito menos energia e paciência para realmente valorizar todas as pequenas coisas que vos fazem felizes. E esqueçam a ideia de pecado e de ter que sofrer para merecer o céu. O maior pecado que podemos cometer é não valorizar e usufruir do corpo e do mundo que nos foi dado. Tratem bem o planeta, o vosso corpo e o próximo, não tenham medo de ser felizes e o resto será com certeza perdoado por quem realmente interessa.

Já agora, para todas as mulheres que vêem a sua vida prejudicada por causa das horas a mais que o marido trabalha, tenho a dizer que, se ele não consegue fazer bem o seu trabalho em oito horas diárias, exceptuando urgências esporádicas (que, por isso mesmo, não podem durar muitos meses nem serem muito frequentes), só podemos estar perante um dos seguintes cenários: ele não está as oito horas concentrado; ele prefere estar a trabalhar do que estar na vossa companhia; ele tem uma amante. Se ele vos disser o contrário, proponham que ele passe a retirar horas de sono (e começar os dias de trabalho às 7h da manhã, por exemplo), de almoços com os colegas ou de outro qualquer prazer que não vos inclua, em vez de suprimir os vossos momentos de qualidade ou de deixar de ajudar em casa. Quero ver se eles, de repente, não passam a ser muito mais eficientes nas horas de trabalho. Até fazem um favor à economia mundial!

Disclaimer: eu sei que há excepções e que há homens fantásticos; eu sei que os médicos estagiários têm que cumprir horários exigentes, etc. Falo da generalidade e não das excepções e a verdade é que ainda vemos mais mulheres a serem prejudicadas em prol dos outros, do que o contrário.

 

Tsetse




Tiago Barros Rolo @ 14:12

Seg, 09/03/09

 

Concordo plenamente, que maior prazer temos nas tres palavras que usadas em conjunto nos fazem respirar....saborear, sentir e viver.
Ao contrario das outras vezes e pela primeira vez...um grande bjinho TSETSE


tsetse @ 17:32

Seg, 09/03/09

 

Exacto! Espero ter inspirado alguns utilizadores a saborear, sentir e viver. Se não, pelo menos inspirei-me a mim própria.


Cris @ 00:17

Sab, 14/03/09

 

Este Blog certamente que inspirou mais alguém... que deixou de lado a sua felicidade durante uns 5 anos e perdeu esses melhores anos de que vocês falam espero ainda ir a tempo de ser feliz e arranjar novas amizades

Parabéns Blog


antiego @ 15:12

Seg, 09/03/09

 

Parabéns. Vocês também fazem um bom trabalho a espicaçar consciências. Realmente é demais lamentavel perder anos de vida ou passar toda a vida a pastar.

Mas aqui há várias questões que se podem levantar, como por exemplo:
- E que alternativa têm? A alternativa, em muitos casos, estou convencido que poderia ser pior. Assim, ainda podem bancar as/os coitados e atirar a culpa a outros.
- Parte-se do principio que todas as pessoas desejam a felicidade, o que pode estar redondamente errado.

Não acredito existir o medo da felicidade (assim mesmo, sem ser uma alegoria). Podem é existir alternativas mais interessantes que a própria feilicidade.


tsetse @ 17:42

Seg, 09/03/09

 

Tens toda a razão, quando dizes que há pessoas que gostam de sentir que são uns coitados. Sentem prazer no papel de mártir e/ou sempre criam tema de conversa. Alguns, por questões religiosas, outros para chamar à atenção e, os últimos, porque não têm muitos interesses e não sabem argumentar, mas gostam de conversar. Assim, sempre têm assunto

Eu, por acaso, não aprecio muito o género.

Miguel @ 15:19

Seg, 09/03/09

 

Caramba, colocas a questão, dás as respostas e os argumentos contra.
E nós, que fazemos?


tsetse @ 17:45

Seg, 09/03/09

 

Há sempre algo a dizer! O Antiego, por exemplo, levantou uma questão muito pertinente: será que todas as pessoas querem mesmo ser felizes?

Só dentro deste tema, há muito para dizer.


Miguel @ 11:20

Ter, 10/03/09

 

Não concordo.
O Antiego que me desculpe, mas não acho que exista essa questão.
TODOS QUEREM SER FELIZES.
A questão é "como, quando e de que forma se sentem felizes algumas pessoas. Os que gostam de bancar os coitadinhos ficam felizes quando alguém lhes dá corda.
Outros há que ficam felizes com a desgraça alheia.
E há aqueles que experimentam a felicidade quando vêm alegria no seu semelhante.
Claro que também temos os, ou como dizes no post, AS que se auto-anulam em prol da felicidade dos outros. Sentir-se-ão felizes se de facto os ditos outros o forem; se não, não terá valido a pena tanto sacrifício e concluem que desperdiçaram a vida.
É também esse, ainda hoje, o papel dos pais.

Claro que todos dirão que a vida lhes passou ao lado, que não a aproveitaram, que... e se... e também... etc e tal...
Mas optaram. Não se desviaram da opção. Certamente terão tido desgostos, alegrias e até momentos de felicidade.
A pergunta a fazer-lhes é: o que fariam de diferente?
Estás preparada para as respostas?


tsetse @ 18:54

Qui, 12/03/09

 

Não concordo contigo, Miguel. Muitas pessoas acham que têm o dever de dedicar-se à felicidade dos outros, para não ficarem mal vistas. Mas, no fundo, não se sentem felizes quando o conseguem. Ainda há outras que acham que têm que ser mártires. Até podem sentir prazer com isso, mas nunca felicidade. Se não, lá se ia o objectivo...

Isa_ @ 15:37

Seg, 09/03/09

 

desculpa mas sonhos e futuro sao a mesma coisa, só se sonha c o futuro... o passado é pesadelo e, o presente a realidade...


tsetse @ 17:47

Seg, 09/03/09

 

Eu, quando posso, prefiro aplicar os meus sonhos no presente. Quero algo, vou buscar.

Maria Nena Freitas @ 19:47

Seg, 09/03/09

 

num momento em que tudo a minha volta muda é sempre bom ler incentivos para continuar a viver...

o vosso blog é uma "biblia"


tsetse @ 00:13

Ter, 10/03/09

 

Eheh , obrigada. Eu diria mais: um serviço público! Devíamos receber um subsídio do estado.

Espero continuar a ver-te comentar!

AnónimA @ 10:49

Ter, 10/03/09

 

É bem verdade... quando damos conta estamos sugados por trabalho, por estudos, pelo conjuge etc. Não deixemos que isso aconteca... temos que dar conta antes que seja tarde demais (e cada vez se morre mais cedo!).
O tempo não pára para esperar por nós... Vamos fazer com que valha a pena esta passagem por cá, não só por nós, mas também pelos outros. Que a nossa existência não tenha sido em branco... E que daqui levemos muitos sorrisos gravados :)
Dinheiro é bom... estabilidade é bom... ser bem sucedido é bom... mas toda a gente sabe o que realmente faz a vida valer a pena...

Beijinhos


antiego @ 18:06

Ter, 10/03/09

 

Sexo é bom, sexo é bem.

Ana @ 06:56

Qui, 12/03/09

 

escolho sempre ser feliz já!
não existe separação no passado, presente e futuro...
vivo hoje do que fiz ontem, amanhã será do que faço hoje!
mandou bem, tsetse!
não dá pra aguentar tranqueiras!
no trabalho, nem nas amizades, nos amores, espaguetes, cinema...
por falar em cinema, uma vez encarei um daqueles 'enlatados' que apenas uma frase se salvou e aplica-se: no final do arco-iris são só cereais!
trabalhar tanto, correr atrás do que? cereais?


tsetse @ 18:55

Qui, 12/03/09

 

Eheh, muito bom.

Pedro Timóteo @ 16:10

Sex, 13/03/09

 

Não podia concordar mais. Excelente post, e excelente filosofia de vida.

Uma única excepção (eu sei, sou um chato: ninguém passa" todas as horas livres a estudar, na esperança de aprender tudo". Ou, melhor, ninguém o faz para "aprender tudo", ou para aprender o máximo que puder, o que até seria um objectivo nobre. Fazem-no apenas por uma razão: carreira. Estudar -> diploma -> emprego bem pago. Mais nada.

Ana @ 20:03

Sex, 13/03/09

 

Aê!
não dá pra ficar na observancia exclusiva dos principios, porém com respeito ao outrx e a nós mesmxs, sinto que devemos fazer as coisas que nos dão prazer e sentido em estarmos no universo (ou multiverso).

se estudar der prazer, felicidade... estude!
mas se for apenas para a mobilidade social... e não promover felicidade, ou ainda, se nesta busca do conhecimento voce se sentir carregando uma mala sem alça e ensaboada... então é mal!

emprego seguro, também pode e deveria dar prazer, te traduzir como pessoa, ser a sua expressão no mundo e contribuição com a sociedade... mas se não for... hum hum... serve pra que? ostentação?! adquirir quinquilharias que logo descartará?

bem,sou dxs que acreditam que tudo na vida "deve ser divertido senão não é sustentável!!!!!!!!!!"




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