tsetse @ 23:44

Ter, 17/02/09

Noutro dia um amigo falava-me sobre uma teoria que tinha desenvolvido sobre as relações entre pessoas serem semelhantes às relações das pessoas com a droga: no início dá um grande prazer, provavelmente devido à produção de substancias químicas no nosso organismo, depois só ficamos porque não aguentamos a privação da relação. Ou seja, ficamos porque estamos viciados e não temos força de vontade para sofrer com a ausência do outro. Eu não concordei, pois conheço várias pessoas, de ambos os sexos, com relações duradouras e que ainda falam do seu parceiro com  entusiasmo e orgulho e que parecem continuar radiantes com a sua escolha.

No entanto, ele não deixa de ter razão numa coisa: há realmente muitos casais que, embora continuem juntos, não parecem muito entusiasmados com o facto e a teoria do vício e do medo de o ultrapassar pode ser, aqui, muito bem aplicada. No entanto, ele errou no essencial: extrapolou a sua experiência para toda a humanidade, ignorando factores intelectuais e civilizacionais, que ultrapassam a simples química. Quem tem esse comportamento pode realmente ser comparado com um agarrado: com fraqueza de carácter, falta de interesse pelos sentimentos de quem o rodeia e sem capacidade para desfrutar da vida em toda a sua plenitude. Mas há quem consiga ser superior a isso.

E este texto teria acabado aqui, se eu ontem não tivesse adormecido a pensar neste tema. O meu subconsciente pregou-me uma partida (ou tentou dar-me uma lição, como preferirem). Sonhei que descobria que uma amiga (que tinha escolhido mentalmente como representante de uma relação feliz, antes de adormecer) estava a ter um caso com o meu amigo que mais me enternece quando fala da mulher, com quem é casado há catorze anos. Na realidade, eles nem se conhecem, nem moram na mesma cidade. Mas o meu sonho juntou-os, para lembrar-me que as aparências iludem e que a experiência já me devia ter ensinado a ser menos romântica.

E vocês, em que acreditam? São todos os casais uma cambada de fracos entorpecidos? Ou só o são os mais azarados ou com menos jeito para escolher o derradeiro parceiro?

 

Tsetse




sopro-do-coracao @ 09:08

Qua, 18/02/09

 

Acredito que exista de tudo. Aqueles que vivem felizes e apaixonados toda a vida, aqueles que vivem com medo de não conseguirem vencer o vício e aqueles que têm força para superar isso.

No entanto, não conheço muitos do primeiro caso (talvez um ou dois casais). Conheço vários do último, mas sem dúvida que a grande maioria que conheço está no segundo caso. Incluindo-me também nesse grupo, que acha que não conseguir vencer o vício.


tsetse @ 14:07

Sex, 20/02/09

 

Sopro, não posso dizer que o teu comentário seja muito animador... Mas parece que é essa a verdade. Pode ser que mude...

Joso @ 11:26

Qua, 18/02/09

 

Eu acredito que há de tudo.
Há gente que se acomoda e vai ficando (e eventualmente obtendo outras gratificações por fora), e há gente que consegue continuar a ver a beleza do outro todos os dias.

Há gente que colabora com isso, e se importa em manter-se bela ao lado do(a) outro(a), e há gente que se acomoda e deixa de pentear-se, perfumar-se, galantear... etc.


tsetse @ 14:18

Sex, 20/02/09

 

Ou seja, achas que, se a pessoa se arranjar e se mantiver bela, tem mais hipótese de ter um parceiro que realmente se sinta encantado por ela? Não achas a tua visão fútil e redutora?

Não digo que não se aplique a muitas pessoas. Mas há outras que valorizam a companhia estimulante, as conversas inteligentes, o orgulho mútuo, o romantismo, o sentir que não preferiam estar noutro lado, etc.

Aliás, todos nós caminhamos para velhos. E, se há pessoas que são como o Vinho do Porto e melhoram com a idade, na maior parte dos casos, a gravidade não é amiga da beleza.

Quem gosta de andar bonito, deve arranjar-se para se sentir bem e não para agradar um parceiro fútil. Até porque as pessoas fúteis têm a tendência para trocar os parceiros de 40 por dois de 20...

Joao @ 15:32

Sex, 20/02/09

 

Não. De facto não a acho fútil e redutora, especialmente no que toca aos homens, porque para nós a imagem é essencial.

Não excluo a necessidade de inteligência, orgulho e romantismo, coisas que cultivo e sem as quais não me imagino, mas desconfio que é mais fácil uma relação manter estímulo com algum cuidado de parte a parte, do que com a constância do chinelo e depilação por fazer, entre outras coisas.

É um facto: somos mais do que isto, mas não nos livramos de dar importância à imagem. Como uma boa amiga minha diz "as mulheres acham que os homens gostam _sempre_delas, e isso é mentira". Pois é.


tsetse @ 17:53

Sex, 20/02/09

 

Dar demasiada importância à imagem do parceiro é, por definição, ser fútil. E, o facto da maioria dos homens sofrerem desse tipo de futilidade, não o torna menos fútil. A maior parte das mulheres (eu incluída) gosta de ter mais sapatos do que precisa e não é por ser uma coisa generalizada que podemos deixar de classificar como futilidade.

Mais sobre o tema:
http://internofeminino.blogs.sapo.pt/68561.html

Miguel @ 14:00

Qua, 18/02/09

 

Não acredito que todos os casais sejam uma cambada de fracos. Não te esqueças de que estás a falar apenas dos que permanecem juntos, esquecendo os milhares de divórcios que todos os anos ocorrem. E, a par destes, omites também as muitas uniões de facto que terminam.
E, ainda, que existem diversos tipos de dependências: emocional, financeira, social, física... sem esquecer que a existência de filhos menores ainda levam muitos casais a aguentar uma relação falhada.
Nalguns casos, só por fraqueza continuam juntos, noutros é uma qualquer forma de necessidade, mas outros casos existem em que é necessária muita coragem e, até, verticalidade, para continuar.
É um assunto com tantas, mas tantas, variantes, que ninguém poderá, no seu perfeito juízo, dar uma resposta válida, qualquer que seja o universo onde recolham amostras estatísticas.

Ana @ 04:10

Sex, 20/02/09

 

difícil essa não?
mas eu penso que somos produto desta somatória de coisas que você apontou.
mas somos assim em todas as relações, com amigos, com a família, no trabalho...
agora, acho que casais que permanecem juntos estão mais dispostos a compartilhar a vida, do que suportar uma situação.
claro que os enganos podem e devem ser sanados, mas numa relação, vamos muitas vezes para o deserto morremos muitas vezes, e cada vez que fazemos isso e ainda assim renovamos nosso amor, mais fortalecido ele fica, podemos nos sentir viciados, mas pode também ser como o ato de respirar o ar a cada segundo...
não podemos chamar de vicio, ou de coisa ruim ter uma necessidade e satisfaze-la...(?)

Miguel @ 14:43

Sex, 20/02/09

 

Ana, não me referi às relações que se mantêm por estar tudo bem entre o casal (amor, amizade, cumplicidade, felicidade...). Apenas respondi ao post, que pergunta sob as relações que, na opinião da autora, parece que deviam ter acabado mas não acabaram por fraqueza dos intervenientes.
Não falei delas mas desde já estipulo, por conhecimento pessoal e directo, que existem.

Ana @ 15:54

Sex, 20/02/09

 

Entendi Miguel, eu considerei a impressão da autora e seu comentário.
Esta é uma das leituras possíveis de fazermos sobre os casais...
Eu acho que "estar tudo bem entre os casais", ou dentro de qualquer relacionamento implica conviver, destilar as emoções... e saber que teremos de tudo... não só as coisas da fase do encantamento.
Concordamos, apenas acrescentei uma dimensão, uma perspectiva.


tsetse @ 14:34

Sex, 20/02/09

 

Miguel, para podermos perceber melhor a questão, temos que isolar a relação de variáveis como filhos, dependência financeira, etc... Esses assuntos já foram tratados noutros posts.

Estamos a falar de relações entre pessoas como eu, que vivo sozinha, não tenho filhos e ganho o suficiente para me sustentar. (E para sustentar outros involuntariamente , mas isso não interessa nada para aqui...)

Miguel @ 13:31

Qua, 25/02/09

 

Só conheço um casal que co-existe há mais de 2 anos, sem "variáveis". Na verdade, são casal há mais de 15 anos, e nenhum, por uma qualquer coincidência, pode ter filhos. E mabos são óptimos profissionais e consideram-se bem pagos.
De resto, sem as ditas "variáveis" e a viverem juntos por uma qualquer razão que não seja do "coração", não só não conheço como não tenho opinião.
Resta-me, por isso, concordar pela afirmativa com o que dizes na forma interrogativa.


antiego @ 17:39

Qua, 18/02/09

 

Não é vicio, é comodismo.

Na maior parte dos casos as pessoas são comodistas e caiem na monotonia. Que estejamos conscientes nesta armadilha e saibamos nos reinventar a nós próprios, porque "o amor só se cansa de ti quando tu de ti mesmo te cansas"


tsetse @ 14:38

Sex, 20/02/09

 

Talvez seja uma mistura de vício e comodismo. Medo de sentir a falta misturado com falta de iniciativa para mudar.

partebilhas @ 19:16

Qua, 18/02/09

 

Claro que há de tudo.
No meu caso, casado há 39 anos com a mesma e não quero trocar.


tsetse @ 00:08

Qui, 19/02/09

 

Mas não queres trocar porque ainda aprecias a companhia dela e ficas encantado com a sua maneira de ser? Ou porque não te consegues imaginar sem ela?

partebilhas @ 01:02

Qui, 19/02/09

 

Não quero trocar, porque continuo encantado.

Um beijinho pata si,
Manuel Peralta


tsetse @ 14:39

Sex, 20/02/09

 

Parabéns, Manuel. Tens o mérito de ter escolhido bem a parceira.


partebilhas @ 14:46

Sex, 20/02/09

 

Olá testse

Não sei se é só uma questão de escolha. Penso que hoje os casais se separam ao primeiro desentendimento.
No nosso caso, quatro filhos ajudaram na união.
Um beijinho para si,
Manuel Peralta


anikin @ 22:05

Qua, 18/02/09

 

Não me parece que exista uma regra pronta a sossegar-te, e a tornar tudo muito mais previsível...


tsetse @ 14:42

Sex, 20/02/09

 

Já sei que depende das pessoas... Gostava era de saber se a questão do vício pela "química" é importante ou não.


anikin @ 21:51

Sex, 20/02/09

 

É pois!

Há por exemplo:

- As pessoas que têm uma química de atracção forte mas um relacionamento cada vez mais destrutivo, que não conseguem quebrar por causa dessa química;

- O caso mais vulgar do hábito que referistes - pessoas que construíram toda uma rotina de vida em conjunto em que não conseguem enfrentar o esforço que uma separação (e um recomeçar de novo) exige. Por mais que a relação se tenha tornado desinteressante, ou francamente má, não se conseguem imaginar a construir uma nova vida.

Este último padrão é realmente muito frequente... mas felizmente também aparecem os velhotes com 50 anos de casamento que continuam a namorar, certo?


Blue Sea @ 22:17

Qua, 18/02/09

 

Eu acredito que tem pouco a ver com adição, mas com o espelho que o outro faz de nós. Só conseguimos deixar de olhar para ele quando já não reflecte nada nosso. Também há quem parta espelhos e passe a outro... que vai refletcir o mesmo e por vezes aumentar.


tsetse @ 14:43

Sex, 20/02/09

 

Profundo...

AnónimA @ 10:47

Qui, 19/02/09

 

Existe uma espécie de comodismo que até pode ser saudável (pelo menos a mim, a mudança assusta-me...)
Por exemplo, neste momento não penso sequer em deixar o meu namorado de já alguma longa data (sei que é diferente de casamento, mas é só para dar a ideia) não só porque já não sei o que é estar sózinha ao domingo, ou já não sei o que é não ter aquele colinho a quem recorrer, mas também porque sei que o amo e que a minha vida sem ele já não fazia muito sentido!
Será isto comodismo? Estou bem, deixo-me estar? Claro que sim, então se estou bem, para quê mudar não é? Claro que há desavenças, momentos menos bons, que temos que saber lidar (não partir logo para acabar o namoro ou arranjar uma 'alegria' por fora). E isto, penso eu, mostra o quão fortes podemos ser, não?!
Com o passar do tempo já temos menos brilho nos olhinhos, menos borboletas na barriga mas que, a qualquer momento, se quisermos, podemos reavivar!
Ele ainda existe sim... :)

Sónia @ 15:09

Qui, 19/02/09

 

Olá. Já vos leio há algum tempo e hoje estava a dar um passeio pela blogosfera e deparo-me com publicações que me eram familiares. Estranhei, pois nunca tinha frequentado aquele blog, e finalmente reconheci-o. Não sei se foi publicado com autorização vossa mas como nao existia qualquer tipo de referência ao interno achei preferivel comunicar.
O endereço é o seguinte: http://myroom777.blogspot.com/?zx=c37d706f1a185cb2

Verifiquei pelo menos dois posts tirados daqui.
Beijo


tsetse @ 15:48

Qui, 19/02/09

 

Mais um caso de plágio...

Nós não nos importamos que coloquem textos nossos noutros blogs, desde que adicionem um link para a versão original. O que não é o caso.

Obrigada pelo aviso.

Sónia @ 02:50

Sab, 21/02/09

 

Pois, bem me pareceu!

De nada. ;)

Sirigaita @ 11:00

Qua, 23/09/09

 

Realmente foi colocado um dos texto deste site e nao dois como foi mencionado e de qualquer forma foram apagados por isso mesmo..Para que nao haja problemas na divulgação do mesmo!

Ana Ferreira @ 03:49

Sex, 20/02/09

 

nossa... estava passando o tempo, porque não consigo dormir... justamente pensando nessas questões...
sou apaixonada, amo de verdade, temos uma relação amorosa e verdadeira.
mas, ultimamente a pimenta anda fraca!
acho que isso pode acontecer com qualquer casal, no nosso caso sabemos bem o porque está acontecendo.
são coisas da vida, não sei o que vem depois, mas acho que vale a vida assim ... sem a "descartabilidade" das pessoas... das relações...
prazer tem de diversas formas, prazer físico não temos só com cosas ardentes, temos na água fria, temos com o pé na terra, temos com a brisa a beira-mar...
assim também os relacionamentos, um dia fogo, outro dia, água, outro brisa e assim vai...
se as pessoas se gostam, sentem bem ao ficar juntas...
ficar buscando fogo, pode impedir de viver o encantamento que é ter um companheiro...
de ser feliz com profundidade.

Pesquisar
 
comentários recentes
meu caso é meio parecido,mas so houve beijo,mas ai...
Quando as variáveis filhos e questões financeiras ...
Boa Tarde,Depois de muito pesquisar na net sobre a...
Viva, gostei do tema e tem razão, as Portuguesas s...
Sim, eu sei. Mas o que dói nao é tanto o que se pa...
Ele não contou porque achou que, se a Anónima não ...
Posts mais comentados
Arquivos
2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D