tsetse @ 13:26

Qua, 09/01/08

Há certas questões que são fundamentais para que uma relação tenha um futuro risonho - ou seja, sem grandes discussões nem problemas graves. São questões de base, que podem definir se as pessoas estão ou não a falar a mesma língua. E, dependendo da pessoa, estas questões podem ter dimensões e prioridades diferentes.

A primeira e a mais importante para mim é: com que princípios regemos a nossa conduta? Por exemplo, vamos partir do princípio que "os fins justificam os meios" ou não? Se a resposta dada pelos dois não for a mesma, dificilmente terão a mesma opinião sobre variadíssimos assuntos, incluindo sobre algumas questões que têm de ser resolvidas com o mútuo acordo.

Por exemplo, outra questão que está no topo das minhas preocupações é: somos pessoas interessantes e interessadas? Gostamos de aprender e valorizamos a descoberta de coisas novas? Se uma pessoa responder que sim e a outra não, a primeira vai sentir-se limitada. Por outro lado, a segunda nunca vai perceber o verdadeiro valor de quem está ao seu lado, pois não a entende e muito menos a estimula. Até já estou a imaginar a discussão quando a primeira quiser gastar um dinheirão numa viagem ao Japão e a outra preferir um sofá novo...

Outra questão pertinente é: valorizamos ou não a perversão? Não, não estou a falar daquelas perversões que dão direito a cadeia. Refiro-me àquelas pequenas conquistas mais ou menos maquiavélicas, como sentir orgulho na subversão de uma alma ingénua. Uma pessoa que valoriza a perversão dificilmente dá o devido valor a uma que não. E uma "que não" dificilmente terá orgulho da perversão da outra. Em ambos os casos, o mérito que um acha ter, não será devidamente valorizado pelo outro. Na melhor das hipóteses, apenas sente curiosidade pela realidade do outro.

A diversidade pode ter muita graça entre amigos, pois sempre proporciona umas conversas diferentes e umas visões mais alargadas. Como se visitássemos um planeta distante e nos divertíssemos por lá uns tempos. Sempre com a hipótese de voltar para a paz da nossa casinha. Mas, numa relação, a história é diferente. Correriamos o risco de mudar de planeta, para nunca mais voltar. (Ou, pelo menos, até novas núpcias...)

Tsetse


Miguel @ 13:38

Qua, 09/01/08

 

Na minha relação, só uma questão é deveras importante: somos ou não capazes de ter discussões acesas? Se somos, é sinal que continuamos a relação. Se não, béléléu.
De resto, tudo são aprendizagens diárias. E bom feitio.


tsetse @ 15:38

Qua, 09/01/08

 

Olá Miguel! Isso pode querer dizer que, para ti, as questões base essenciais são o desafio e a vontade de discutir de forma apaixonada.

Já agora... Espero que tenhas encontrado alguém que tenha a mesma opinião e que fale a mesma língua. Pois, para quem não gosta de discutir (como é o meu caso), uma relação contigo podia ser um inferno.

Miguel @ 14:06

Qui, 10/01/08

 

Nada de mal entendidos, se faz favor.
Quando digo que a questão importante é sermos ou não capazes de uma discussão acesa, quero dizer que quem as tiver e continuar juntos está ali para as curvas.
O mal dos casalitos de hoje (criançolas mimadas e afins), é que à primeira discussão zarpam, cada um para seu lado.
De resto, detesto discutir. Sou daqueles que, com amigos, mais deperessa me levanto e saio do que levanto a voz a quem me a levantou a mim.
Mas se entro numa discussão a sério, não me perdem como amigo (ou marido) por causa do resultado da mesma.
Uma discussão (verbal) não é um duelo com armas mortais. É uma troca de ideias, necessáriamente divergentes. Apenas isso. O calor da discussão, a veemência com que se arremetem argumentos, o tom de voz que se utiliza, apenas são (devem ser) indicativos da firmeza da opinião, da paixão provocada pelo assunto. Quem assim não o entender, não terá nunca uma vida em comum.
E era isto que eu queria dizer.Mai'nada.


Inocêncio da Silva @ 14:50

Qua, 09/01/08

 

Antes de mais bem vinda....sentiu-se a tua falta!

Sintetizando, descreves uma relação entre duas pessoas com conceitos sobre a vida (acima de tudo) diferentes.
Para alguns o "sentido da vida" reside na descoberta, na aventura, na evolução enquanto outros simplesmente resignam-se ao atingir certos patamares.

Relação talhada ao fracasso? quase que arrisco a dizer que sim, até porque um(a) aventureiro(a) dificilmente suporta as correntes de uma confortável monotonia. E a força constante que ele ou ela exercem sobre a mesma eventualmente quebrará a ligação e ganharão asas novamente.

Alias, numa relação em que um dos elementos da equação seja um destes marialvas alados e com o péssimo habito de fitar os olhos nos horizontes que se vê da janela da relação onde agora habitam, o outro terá que ser de igual calibre ou apenas poderá ambicionar a ser guardião do caminho que eles eventualmente acabarão por seguir...

O planeta é o mesmo, agora enquanto uns olham para o chão os outros olham para o céu...até me espanto como é que se conseguíram ver um ao outro.


tsetse @ 16:40

Qua, 09/01/08

 

Excelente metáfora!



Inocêncio da Silva @ 16:58

Qua, 09/01/08

 

Está gira, não está?


Miguel @ 14:09

Qui, 10/01/08

 

UUUAAAAAAUUUUU.

Mike @ 14:53

Qua, 09/01/08

 

Querida Tsetse,
No meu blog abordei o mesmo tema, ainda que de outra forma, e fico contente por ler aqui uma opinião -a tua - numa linha de pensamento semelhante à minha. Acrescento, com base no que escrevi, que o amor não move assim tantas montanhas, para que nos permitamos a viver e conviver numa relação em que as duas pessoas são, na essência, diferentes. Podemos ser diferentes, podemos ter divergências, mas temos sempre que ter mais em comum do que de diferente. Deste óptimos exemplos, e, ainda que possam ser pormenores, são os pormenores do dia-a-dia, e são esses que fazem uma relação ser quase perfeita ou tão imperfeita quanto limitada. Antes que alguém venha falar em monotonia, diria que as pessoas não têm que ser clones, pelo que haverá sempre dferenças que vão dar dinamismo à relação, mas as próprias semelhanças conferem esse dinamismo, porque duas pessoas motivadas pelos mesmos padrões, não estão motivadas nos mesmo momentos. Uma será motivadora num momento e motivada noutro. Penso que assim se criará a dinâmica da relação!


tsetse @ 16:44

Qua, 09/01/08

 

Pois é Mike, temos a mesma opinião! Concordo com tudo o que dizes.


Mike @ 20:09

Qua, 09/01/08

 

Tsetse,
Eu acho que fomos feitos um para o outros!

Tenho fortes convicções de que serás a mulher que veio para mudar a minha vida...


tsetse @ 22:55

Qua, 09/01/08

 

Eheh, que exagero!


Mike @ 10:18

Qui, 10/01/08

 

Exagero? Qual exagero?
O que consideras exagerado, a primeira frase ou a segunda?
É que são as duas saídas mesmo do fundo do coração!

O_Alminhas @ 15:03

Qua, 09/01/08

 

Este úiltimo parágrafo parece-me contradizer outras coisas que já aqui escreveste...


tsetse @ 16:45

Qua, 09/01/08

 

Qual parte?

O_Alminhas @ 17:15

Qua, 09/01/08

 

A parte que exclui a diversidade de uma relação. Mas, pensando bem, acho que foi a TNT que uma vez disse que a exclusividade é uma bizarria masculina (ou algo que o valha).. sorry.

Anónimo RC @ 14:07

Qui, 10/01/08

 

TseTse, mais uma vez fantástica!
Não sei a tua idade, não tenho a certeza do teu sexo, não sei o teu nível cultural... mas uma coisa é certa! Tens muita visão do mundo e de como funcionam as coisas.
De facto são questões muito pertinentes e que nunca me tinham ocorrido! Vou ter isso em consideração no futuro (sim, que já não tenho 18 anos, mas estou em idade que dá o seu jeito)!
Os meus parabéns e continua que nós vamos dando umas escapadinhas cá para tentar perceber o "mistério do interno feminino". Havíamos de ter direito a um diploma ou certificado (após uns 2 ou 3 anos de leituras) de "minimamente conhecedores do interno feminino"!
Era óptimo para apresentarmos no nosso CV para mulheres , assim como a culinária, jardinagem, cama... etc etc
Beijo
Beijo


tsetse @ 16:50

Qui, 10/01/08

 

Eheh, essa ideia do diploma é muito boa!



Para saberes a minha idade e sexo, basta ir ver o meu perfil no SAPO Spot: http://tsetse.spot.sapo.pt

Já agora, inscreve-te também e entra para o clube de leitores deste blog!

gomesh @ 08:56

Sex, 11/01/08

 

Peço desculpa mas não resisto a fazer este comentário...
Então não sabes o sexo ou o nível cultural da Tsetse ?? Não andamos a ler o blog com muita atenção... lol

Miguel @ 14:32

Qui, 10/01/08

 

Um história real:
Sou Sagitário - Fogo
A minha mulhjer é Leão - Fogo
O meu filho mais velo é Carneiro - Fogo
O meu filho mais novo é Virgem - Terra.
Sendo comum o elemento Fogo a mim, à mulher e ao + velho, vejamos as diferenças:
Músicas, filmes, literatura, desportos, cores, moda, nada disto temos em comum, seja quem for com qualquer que seja.
Em comum temos o sentido de humor (brincamos com qualquer assunto, sem mau gosto), a paixão pela praia e a defesa com unhas e dentes de um ponto de vista, duma opinião. Aqui discutimos como cães e gatos. Mas, no fim, acabou. Damo-nos lindamente, interagimos de forma harmoniosa, cada um gosta sempre de alinhar nas coisas que um dos outros propõe.
O mais novo é a nota dissonante, mas como também vai a todas, sem dúvida que somos uma família funcional. Há choques, divergências, gritos, mas há 16 anos que andamos nisto e não se vê fim à vista. Pelo contrário.
Não imagino como seria se todos quiséssemos o mesmo e gostássemos da mesma coisa. Que horror, a monotonia.
Unidade na diversidade. Isso sim, faz-me andar.

Allie @ 15:13

Qui, 10/01/08

 

Não podia concordar mais. A verdade é, como dizes, "A diversidade pode ter muita graça entre amigos". Estar com alguém que não seguirá a mesma linha de principios (e objectivos), por muita paixão e discussões loucas que haja, não terá grande futuro, pois na hora das decisões cada um penderá para o seu lado e neste tipo de coisa, a cedência é muito complicada.


tsetse @ 17:01

Qui, 10/01/08

 

Até pode ter futuro, mas será um futuro mais doloroso e onde teremos mais dificuldade em desenvolver as nossas virtudes.


Nuno_Ferreira @ 15:24

Sab, 12/01/08

 

Somos pessoas interessadas em pessoas interessantes ;) LOL Cada um é como cada qual, aquilo que somos e gostamos é o reflexo de tudo o que já passámos e vivemos. Em relação a termos que ter ou não mais pontos em comum do que pontos divergentes, a vida é feita de diversidade e pontos comuns, o equilíbrio é que é difícil de encontrar.
Quantos casais se vê que têm tanta coisa em comum e que não se aguentam passado um bocado, e quantos aqueles que têm tanta coisa em desacordo e que mesmo assim conseguem puxar um pelo outro!? ;)
O mais importante, é que se consiga gostar de alguém ao ponto de gostar até mesmo daqueles pequenos "defeitos" que dão graça à relação e ter aquele ponto em comum (ou "ponto de refugio") que os dois têm e onde se "encontram" sempre :)
O interesse que cada um tem, está nos olhos de quem vê :p LOL

Porthos @ 14:40

Seg, 14/01/08

 

Tsetse ,

Acho que não podemos relacionar-nos com alguém tendo sempre um bloco de notas, um gravador ou mesmo um divã (que até daria muito jeito) à mão.

As relações não são ciência!!

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